Apresentação

Eu sei que existem muitos blogs sobre Twilight, mas todos que eu conheço são extremados: ou Twilight é a primeira maravilha, tendo desbancado já as outras sete, ou é um lixo nuclear, cujo úúnico mérito é arder bem e sendo capaz de alimentar uma boa fogueira.
Este blog, portanto, se propõe a um meio-termo: a criticar algumas coisas, sim, mas, também, a encontrar aspectos positivos que merecem atenção e, até, alguma deferência.

Então, para estabelecer os pontos, sim, eu li os livros, e mais de uma vez. Se gostei? Muito! Mas não espere que eu inveje as descontroladas que arrancaram sangue dos pescoços na presença do ator que interpreta Edward; tampouco esperem que eu assine um daqueles blogs do tipo "porque nós odiamos twilight". Existe um meio termo em tudo isso, e é nele que estou.

Então, por tudo isso, mais um blog sobre Twilight!
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domingo, 24 de janeiro de 2010

Sim, eu gosto de Rosalie

Para fãs e não-fãs, Rosalie é definida apenas como a "psicopata
maternal". De fato, a relevância dela é muito pequena, até amanhecer.
Mas do pouco que vi, nos livros oficiais e em "Sol da Meia-noite" (que
vale super a pena, se vocÊ quiser conhecer melhor os Cullen), ela é
interessantíssima.
O capítulo em que ela conta sua história nos permite muitas
reflexões sobre a beleza, em si. Acho que, no fundo, ela tem uma
relação ambivalente com sua aparência, e não é para menos.
Rosalie teve, durante a vida humana, incríveis vantagens e
desvantagens por ter sido sempre a mais bonita. As vantagens são óbvias:
admiração, a atenção dos pais; e as desvantagens? Acho que ela se sentia
triste por nunca ter sido amada por quem realmente ela era, e daí vinha
a inveja de sua amiga genérica, casada com um homem genérico.
E a fixação dela por nunca ter tido filhos? Acho que eu entendo
isso. Quero dizer, um filho não a amaria por ela ser "a mais bonita";
ele a amaria porque ela seria sua mãe, simples assim.
Existe nela uma tal cede de amor, uma tal sinceridade, que converge
simpatias, indiscutivelmente.
Só me perco nas reais fundações do amor entre ela e Emmett. Ela diz
que o escolheu pelas suas "covinhas", que lhe fizeram lembrar do bebê da
sua amiga. Mas, e agora? O que será que ela vê nele? Por que ela disse
uma das frases mais lindas de todo o livro? "Emmett é tudo que eu
pediria, se me conhecesse bem o suficiente para saber do que precisava"?
O que une pessoas aparentemente tão diferentes, com humor diferente,
perspectivas, expectativas diferentes?
E aí entra a maternidade, toda aquela história de ela apoiar a Bella
a ter o seu "bebê-vampiro-potencialmente-assassino".
Acho que, sim, ela teve afinidade com Bella, ali. Creio que de todos,
excetuando talvez Esme que, ao que sabemos, tentou suicídio porque
perdeu seu filhinho,- Rosalie estava mais preparada para sentir a
"impressão" que a maternidade fez na esposa de Edward.
Edward diz que ela estava só visando o bebê, mas não sei se ele
é um referencial confiável ali, dado seus próprios sentimentos
contraditórios em relação ao feto.
Então, sim, eu gosto da "psicopata maternal" e gostaria de ter visto
mais sobre ela, nos livros.
Abaixo, segue um escrito não-oficial da tia Steph, narrado por
ninguém menos que pela Rose... :-)))) Deliciem-se, eeee

Erro de cálculo

Um pequeno som cochichado - não aqui, a uns cem metros ao norte - me fez
pular. Minha mão se fechou automaticamente envolta do telefone, o
fechando e o tirando de vista no mesmo movimento.

Eu joguei meu cabelo por cima do ombro, espiando pelas janelas altas até
a floresta. O dia estava escuro, nublado; meu próprio reflexo era mais
claro que as arvores e as nuvens. Eu encarei meus olhos arregalados e
assustados, meus lábios caídos nos cantos, a pequena ruga na vertical
entre minhas sobrancelhas&

Fiz uma careta, substituindo a expressão de culpa por uma de desprezo.
Um desprezo atraente. Inconscientemente, eu notei como a expressão de
raiva combinava com o meu rosto, contrastando belamente com o dourado
dos meus cachos grossos. Ao mesmo tempo, meus olhos procuravam pela
floresta vazia do Alasca, e eu fiquei aliviada que ainda estivesse
sozinha. O som não tinha sido nada - um pássaro ou uma brisa.

Não tinha porque sentir alívio, eu disse a mim mesma. Não tem porque se
sentir culpada. Eu não tinha feito nada de errado.

Os outros estavam planejando nunca contar ao Edward a verdade? Deixá-lo
rolar de angustia por becos sujos, enquanto Esme ficava de luto e
Carlisle tentava adivinhar cada decisão dele e a alegria natural da
existência de Emmett lentamente se transformar em solidão? Como isso
podia ser justo?

Além do mais, não havia como manter segredos do Edward. Mais cedo ou
mais tarde ele iria nos encontrar, vir visitar a Alice ou o Carlisle por
alguma razão, e então ele descobriria a verdade. Ele teria nos
agradecido por mentir para ele como nosso silencio? Dificilmente. Edward
sempre tinha que saber de tudo; ele vivia para esse sentido de
onisciência. Ele teria um belo surto, e só ficaria mais irritado que nós
escondemos a morte da Bella dele.

Quando ele se acalmasse e superasse toda essa bagunça, ele provavelmente
me agradeceria por ser a única corajosa o suficiente para ser honesta
com ele.

A quilômetros de distancia, um falcão gritou; o som me fez pular e
checar a janela de novo. Meu rosto tinha a mesma expressão de culpa de
antes, e eu me olhei com raiva no vidro.

Ótimo, então eu tinha minhas próprias razões. Era tão ruim assim que eu
quisesse que a minha família ficasse junta novamente? Era tão egoísta
sentir falta da paz, da felicidade sem fim a qual eu já tinha me
acostumado, a felicidade que Edward parecia ter levado com ele em sua
viagem?

Eu só queria que as coisas voltassem a ser como eram antes. Isso era
errado? Não parecia tão horrível. Afinal, eu não tinha feito isso só
para mim, mas para todos. Esme, Carlisle e Emmett.

Não tanto por Alice, embora eu teria presumido& Mas Alice sempre tinha
estado tão certa que as coisas dariam certo no fim - que Edward seria
incapaz de ficar longe de sua namoradinha humana - que ela não tinha se
preocupado em ficar de luto. Alice sempre tinha funcionado em um mundo
diferente do resto de nós, trancada em sua realidade mutável. Já que o
Edward era o único que podia participar dessa realidade, eu tinha
pensado que a ausência dele seria mais difícil para ela. Mas ela estava
segura como sempre, vivendo à frente, sua mente em um tempo que seu
corpo ainda não tinha alcançado. Sempre tão calma.

Mas ela tinha ficado fora de si quando viu Bella pular&

Eu tinha sido muito impaciente? Agido rápido demais?

Era melhor que eu fosse honesta comigo mesma, porque Edward veria cada
insignificância em minha decisão assim que ele voltasse para casa.
Melhor que eu reconhecesse logo meus motivos mesquinhos, os aceitasse de
uma vez.

Sim, eu estava com ciúmes do jeito que a Alice se sentia sobre a Bella.
Alice teria corrido tão rápido, com um pânico tão desesperado, se ela
tivesse me visto pulando de um penhasco? Ela tinha que amar essa
humanazinha comum tão mais do que me amava?

Mas o ciúme era só uma pequena coisa. Talvez tivesse acelerado a minha
decisão, mas não tinha sido o principal motivo. Eu teria ligado para o
Edward de qualquer jeito. Tinha certeza que o Edward iria preferir minha
honestidade objetiva do que a decepção bondosa dos outros. A bondade
deles já estava condenada desde o começo; Edward viria para casa
eventualmente.

E agora ele podia voltar para casa antes.

Não era a felicidade da minha família que eu sentia falta.

Eu sentia saudade do Edward também, de verdade. Eu sentia saudade das
pequenas observações cortantes dele, do humor negro que sempre estava
mais em harmonia com o meu do que o feliz e brincalhão do Emmett. Eu
sentia saudade da musica - o radio dele tocando sua ultima descoberta
indie, e o piano, o som do Edward transformando seus pensamentos quase
sempre remotos em música. Eu sentia saudade dele murmurando da garagem
ao meu lado enquanto nós mexíamos nos carros, a única hora em que
ficávamos em perfeita sincronia.

Eu sentia saudade do meu irmão. Com certeza ele não me julgaria tão
duramente depois que ele visse isso na minha cabeça.

Seria desconfortável por um tempo, eu sabia disso. Mas o mais cedo que
ele voltasse para casa, mais cedo as coisas poderiam ser normais de
novo&

Eu busquei em minha cabeça algum luto pela Bella, e fiquei contente em
encontrar que eu sentia pena da menina, sim. Um pouco. Uma coisa era
certa, pelo menos: ela tinha feito o Edward feliz em um jeito que eu
nunca tinha visto antes. É claro, ela também tinha o deixado mais
infeliz que qualquer outra coisa em seus cem anos de vida. Mas eu
sentiria falta da paz que ela tinha dado a ele durante aqueles poucos
meses. Eu podia verdadeiramente lamentar a perda dela.

Esse reconhecimento me fez sentir melhor comigo mesmo, satisfeita. Eu
sorri para o meu rosto no vidro, emoldurado pelo meu cabelo dourado e as
paredes de cedro vermelhas da sala de estar aconchegante e longa da
Tanya, e aproveitei a visão. Quando eu sorria, não havia mulher ou homem
no planeta, mortal ou imortal, que podia se comparar comigo em beleza.
Era um pensamento consolador. Talvez eu não fosse a pessoa mais fácil de
se conviver. Talvez eu fosse superficial e egoísta. Talvez eu tivesse
desenvolvido uma personalidade melhor se eu tivesse nascido com um rosto
comum e um corpo normal. Talvez eu tivesse sido mais feliz assim. Mas
isso era impossível de provar. Eu tinha a minha beleza; isso era algo em
que eu podia contar.

Eu alarguei o sorriso.

O telefone tocou e eu automaticamente apertei a mão, embora o som
tivesse vindo da cozinha, não do meu pulso.

Eu soube na hora que era o Edward. Ligando para checar a informação que
eu tinha dado. Ele não confiava em mim. Ele achava que eu era cruel o
bastante para fazer piada disso, aparentemente. Eu fiz uma careta quando
eu voei para a cozinha para atender o telefone da Tanya.

O telefone estava no canto mais distante, em cima do longo balcão de
cortar carnes. Eu o peguei antes que o primeiro toque tivesse terminado,
e virei a cabeça para a porta da frente quando atendi. Eu não queria
admitir, mas eu sabia que estava esperando o retorno do Emmett e o
Jasper. Eu não queria que eles m vissem falando com o Edward. Ficariam
com raiva&

- Sim - eu perguntei.

- Rose, eu preciso falar com o Carlisle agora - Alice disse ríspida.

- Ah, Alice! Carlisle está caçando. O quê -

- Ótimo, assim que ele voltar, então.

- O que é? Eu vou atrás dele agora mesmo e peço para ele ligar para você
-

- Não - Alice interrompeu de novo. - Estarei em um avião. Olha, você
teve notícias do Edward?

Foi esquisito como o meu estomago se revirou, parecendo descer pelo meu
abdômen. A sensação trouxe um estranho déjà vu, uma alusão a uma memória
humana, há muito perdida. Náusea&

- Bem, sim, Alice. Verdade. Eu falei sim com o Edward. Há alguns minutos
- Por um breve segundo eu brinquei com a idéia de fingir que o Edward
tinha me ligado, uma coincidência aleatória. Mas é claro que não tinha
sentido em mentir. Edward já me daria trabalho o suficiente quando ele
viesse para casa.

Meu estomago continuou a se mexer estranhamente, mas eu o ignorei.
Decidi ficar nervosa. Alice não devia falar assim comigo. Edward não
queria mentira, ele queria a verdade. Ele me apoiaria quando viesse para
casa.

- Você e Carlisle estavam errados - eu disse. - Edward não gostaria que
mentissem para ele. Ele iria querer a verdade. Ele quis. Então eu dei a
ele. Eui liguei para ele& Eu liguei para ele muitas vezes - eu admiti. -
Até que ele atendesse. Uma mensagem teria sido& errado.

- Por quê? - Alice ofegou. - Por quê você fez isso, Rosalie?

- Porque o quanto antes ele esquecer isso, quanto antes as coisas
voltarão ao normal. Não teria ficado mais fácil com o tempo, então por
que adiar? Tempo não vai mudar nada. Bella está morta. Edward vai ficar
de luto e então superar. Melhor que ele comece agora do que depois.

- Bem, você está errada nos dois casos, Rosalie, então isso seria um
problema, não acha? - Alice perguntou um tom feroz, cruel.

Errada nos dois casos? Eu pisquei rápido, tentando entender.

- Bella ainda está viva? - eu sussurrei, sem acreditar nas palavras. Só
tentando adivinhas a que casos Alice estava se referindo.

- Sim, é isso mesmo. Ela está absolutamente bem -

- Bem? Você disse que ela pulou de um penhasco!

- Eu estava errada.

A palavra soou tão estranha na voz de Alice. Alice, que nunca estava
errada, que nunca era pega de surpresa&

- Como? - eu sussurrei.

- É uma longa história.

Alice estava errada. Bella estava viva. E eu tinha dito&

- Bem, você causou uma bela bagunça - eu resmunguei, transformando meu
pesar em acusação. - Edward vai ficar furioso quando voltar para casa.

- Mas você está errada sobre essa parte também - Alice disse. Eu podia
dizer que ela estava falando por entre os dentes. - É por isso que eu
estou ligando&

- Errada sobre o quê? Edward voltar para casa? É claro que ele vai
voltar - eu ri, zombando. - O quê? Você acha que ele vai dar uma de
Romeu? Há! Como algum estúpido e romântico -

- Sim - Alice sibilou, a voz como gelo. - É exatamente isso que eu vi.

A convicção dura da voz dela deixou meus joelhos bizarramente bambos. Eu
segurei na viga de cedro para me apoiar - apoio que meu corpo duro feito
diamante não precisava. - Não. Ele não é assim burro. Ele - ele deve
perceber que -

Mas eu não conseguia terminar a frase, porque eu podia ver na minha
cabeça, uma visão própria. Uma visão de mim. Uma visão impensável de
como seria a minha vida se de algum modo o Emmett deixasse de existir.
Eu tremi e me recolhi de horror com a idéia.

Não - não tinha comparação. Bella era só humana. Edward não queria que
ela fosse imortal, então não era a mesma coisa. Edward não podia sentira
mesma coisa!

- Eu - eu não tive intenção, Alice! Eu só queria que ele voltasse para
casa! - minha voz era quase um urro.

- É um pouco tarde demais para isso, Rose - Alice disse, mais grossa e
fria que antes. - Guarde seu remorso para alguém que acredite nele.

Houve um clique, e então o barulho da linha.

- Não - eu sussurrei. Sacudi a cabeça lentamente por um momento. -
Edward tem que voltar para casa.

Eu encarei o meu rosto na chapa de vidro da porta da frente, mas não
conseguia mais o enxergar. Era só um borrão de branco e dourado.

Então, através do borrão, longe na floresta distante, uma arvore enorme
se agitou irregularmente, diferente do resto da floresta. Emmett.

Eu empurrei a porta para longe do meu caminho. Ela bateu violentamente
contra a parede, mas o som estava bem atrás de mim enquanto eu corria
pelo verde.

- Emmett! - eu gritei. - Emmett, ajuda!

Fonte: Foforks

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

E agora, Bella Swan

Em primeiro lugar, gostaria de expressar meu repúdio à Bella dos
filmes. Acho que tentaram fazê-la com mais iniciativa, (como se ela
precisasse) mas, ao meu ver,
construíram uma das personagens mais chatinhas de todos os tempos.
Bella se acha. Ela entende tudo, sabe de tudo e, o que não sabe,
pesquisa no Google. O jeito que ela trata o pai, ninguém merece. O jeito
superior dela com as amigas, só Deus explica como elas aturam.
Supúnha-se que os vampiros fossem os seres sobrenaturais da trama, mas
Bella, com sua chatice sobrenatural, faz os vampiros parecerem meros
coadjuvantes deslocados.
Aparentemente o verão ao lado de Edward Cullen fez milagres, porque
a Bella do filme "Lua NOva" está ligeiramente mais suportável.
Mas, de verdade, o objetivo aqui é falar da personagem original, então,
vamos lá.
Ela começa como uma personagem ligeiramente chata no primeiro
livro, toda superior porque veio de uma cidade grande e toda enjoativa
com o seu jeito dramático de ver as coisas.
Muita gente fala mal de ela ser tão cobiçada no começo, mas é um
comportamento comum de jovens de uma cidade pequena em relação a outro
do sexo oposto de uma cidade grande, então tia Steph apenas refletiu a
realidade.
Então Edward aparece e ela vai melhorando, vai amadurecendo. `
como se as dificuldades porque vai passando fossem ajudando-a a separar
as coisas e a crescer, em um sentido mais amplo.
Dizem que Bella é muito submissa. Eu nunca entendi o fundamento disso.
Para mim, eles confundem arrebatamento amoroso com submissão afetiva. A
maior parte das análises sobre a submissão da Bella são, no mínimo,
parciais: pegam, como sempre, trechos isolados, frases, apenas, e, a
partir daí, deduzem tudo o mais.
Pessoalmente, não vejo desse
modo. Vamos lá, aonde os críticos estavam quando ela briga com Edward e
força as coisas até ficarem do jeitinho que ela quer, por várias vezes? NO primeiro livro,
eles nem namoravam ainda, e ela passa o maior sabão nele. Me refiro ao
trecho do "frustrante e não-frustrante"; e quando James começa a
persegui-la e ela se impõe diante de três vampiros com a melhor idéia? depois, quando Jacob entra em
cena e ele fica
com ciúmes (ahn, Edward jura que está só preocupado com a segurança
dela, mas só Bella acredita nisso) ela deixa muito claro que gosta de
Jacob e continuará a vê-lo sim, e força tanto a barra, que Edward acaba
levando-a até a fronteira um monte de vezes. "eu sou a suíça!" Em
Eclipse, idem: ela vai
indo, vai indo, até que ele fica com ela na batalha da clareira com os
recém-nascidos, e não lutando com os demais, como era o planejado.
"Aquele lance todo do compromisso. Acho que é até o nome do capítulo.".
E em
amanhecer, quem mesmo queria aquele bebê vampiro, em primeiro lugar? E,
antes disso, quem mesmo queria ter relações com o Edward, apesar da
opinião dele?
Tudo bem, ela cede
algumas vezes, e de forma fácil e até vergonhosa, mas daí a ser um
fantoche sem opinião, vai um longo espaço. Então, os críticos que me
perdoem, Bella pode até ser sonsa e lenta de vez em quando, mas quando ela
arranja uma prioridade, corre atrás sem pedir fiador e ponto final e
isso é o oposto de submissão.
Entretanto Edward vai embora em Lua Nova e entra em cena Jacob Black e,
com ele, uma nova Bella.
Uma das sacadas psicológicas mais bem feitas da Bella está aí:
existem duas dela: a Bella de Edward e a Bella de Jacob.
A Bella de Jacob se esbalda com a levesa que este lhe proporciona.
Ela não tem medo de ser palhaça, não precisa ser a adulta, não precisa
ser tão responsável. `um tipo Bella-zona-de-conforto que nunca pôde ser
quando precisava ter responsabilidade por ela e pela mãe e quando
namorava um homem com a cabeça do seu avô. A Bella de Jacob ri mais e é
mais ousada embora, claro, permanentemente meio infeliz, porque Edward
não estava por perto.
Eu chego a me perguntar quanto da "Bella de Jacob" é a "Bella de
Jacob", e quanto de toda aquela euforia é uma tentativa de sobreviver
ao Edward, como se, para seguir sem ele, ela não pudesse ser mais a
mesma pessoa.
`muito interessante a explosão dela, quando Alice reaparece. Como
se todo o monumento de "estou bem, ok?" ruísse de uma vez só e
sobreviesse a garota assustada e perdida que houvera ali, o tempo todo.
FOi, para mim, uma cena especialmente chocante, porque, lendo-a com
Jacob, eu quase acreditei que ela ficaria bem, simplesmente. Que ela
estava gradualmente envolvendo e sendo envolvida e que, em algum
momento, Edward seria apenas mais uma cicatriz na vida dela.
Daí vemos tudo de Volterra e, finalmente, Edward volta. Jacob
vira "o personagem que ficou sobrando", simpático, apaixonado e...
Lobizomem.
Edward tenta negar a Bella, tenta disfarçar tudo com quilos de
autruísmo, mas ele está morrendo de ciúmes do Jack o tempo todo... E
com razão. E Bella? Embora ela demore muito a perceber, ela também está
mortalmente dividida: a Bella de Jack e a Bella de Edward, apesar de eu
achar que o que pega mais seja um medo implícito de que Edward vá embora
outra vez, posto que ela não se acha suficientemente boa para ele.
Confesso que a protagonista da série não tem muito do meu respeito,
até aí. Eu não a detesto, veja bem. Tenho até empatia com a situação
dela, de ser, por exemplo, uma humana nada talentosa interagindo com um
monte de vampiros maduros e superpoderosos, mas ela não tem muito do meu
respeito.
Ela é só uma garota prosaica, que acerta e erra, como todo mundo e
tem dois caras de bandeja.

As coisas mudam quando Bella beija Jacob e admite que também o ama.
Sim, acho que foi a partir daí que ela mostrou quem realmente era. Foi
quando sentiu, tocou no fato de que se sentia emocionalmente envolvida
pelos dois, fisicamente atraída pelos dois, romanticamente entrelaçada
aos dois e decidiu fazer sua escolha.
Ela podia "enrolar". Ela podia fugir. Ela podia se mascarar. Ela
podia manipular Edward e Jacob facilmente, mas não fez. Ela decidiu. E
agiu. E arcou com a dor e a glória da própria escolha. E, finalmente,
ganhou meu respeito.
*Trecho transcrito ao final*
Ela assume que prefere o Edward, conta ao Jacob com honestidade
total e tem a coragem de chorar o que jamais terá até o fim, sem fugir
por um momento sequer, sem se iludir. Depois, junta os cacos e segue seu
caminho com o escolhido sem olhar para trás, até o momento em que começa
a gestar a alma gêmea de Jacob, mas aí, já é outra história.
Então vem o casamento e, bem grudadinho, a maternidade. Eu só vejo o
povo dizer que o parto dela é nojento, mas nunca vi ninguém se debruçar
sobre os efeitos que tornar-se mãe tem sobre a nossa personagem.
Tá bem, tem
muito de transferência na minha admiração por Bella ao arcar com um
bebê que
ninguém mais quer, a sofrer o que quer que seja, para ter um "final
feliz" que só ela vê. Ela faz alianças, aposta tudo e vai até ao fim e
produz, na minha opinião, uma das cenas mais lindas de toda série, que
é fazer Edward e Jacob lutarem por um único objetivo, a aliança mais
improvável de todo o enredo.
Já vi muitos descreverem o parto de Bella como estranho e repulsivo.
Eu penso que sou das poucas que achou aquilo tudo lindo, lindo de
chorar. A determinação
dela, a resistência, a coragem de ir até ao fim e, no final, os dois
ajudando o bebê a nascer, tentando mantê-la viva.
Aquilo é lindo demais. `o fim do processo. `a glória dele.
E o ciúme de Bella sobre Jacob ter o empiting com a Renesmey?
muito materno, se me permitem dizer. Bella mãe é muito fofa, muito...
Bela mesmo.
`um dos motivos pelos quais eu gosto de Crepúsculo, no frigir dos
ovos. Dá gosto ver aquela menininha mimada e dramática virar uma
mulher, parar de choramingar encima das próprias mágoas para lutar pelo
que quer, sem, para isso, precisar manipular ninguém, como certas
heroínas fazem por aí.
É isso. Quem quiser atirar, vá em frente. Abaixo, os trechos
prometidos.

--------------


Reencontro de Bella e Alice:

Imóvel e branca de uma forma que não era natural, com os grandes olhos
escuros atentos em meu rosto, minha visitante esperava
completamente parada no meio do corredor,
linda além da imaginação. Meus joelhos tremeram por um segundo e eu
quase caí. Depois me atirei para ela. ­ Alice, ah, Alice!
­ gritei, enquanto me jogava. Tinha
esquecido como Alice era dura; era como correr direto para um muro de
cimento. ­ Bella? ­ havia um misto estranho de alívio
e confusão em sua voz. Abracei-a, ofegando,
tentando sentir o máximo possível o cheiro de sua pele. Não era igual a
nada ­ não era floral nem picante, nem cítrico nem
almiscarado. Nenhum perfume no mundo podia
se comparar àquilo. Minha memória não lhe fazia justiça. Não percebi
quando o ofegar se transformou em algo mais ­ só vi
que estava chorando quando Alice me arrastou
para o sofá da sala e me colocou em seu colo. Era como me enroscar numa
pedra fria, ma uma pedra que contornava confortavelmente
o formato de meu corpo. Ela afagou
minhas costas num ritmo suave e esperou que eu me controlasse. ­ Eu...
Desculpe ­ balbuciei. ­ Estou tão... feliz... por
ver você! ­ Está tudo bem, Bella. Está tudo
bem. ­ Sim ­ chorei. E pela primeira vez parecia estar mesmo.

(Lua NOva)


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A Bella de
A Bella de Edward e a Bella de Jacob

Eu fiz o caminho para o meu quarto, cega e tropeçando. Uma vez dentro,
eu lutei com o abridor da minha pulseira, tentando
abrí-la com
os dedos tremendo. "Não, Bella", Edward sussurrou, capturando as minhas
mãos. "Isso é parte de quem você é". Ele me puxou
para o berço dos seus braços e os soluços
ficaram livres de novo. O mais longo dos dias parecia estar se esticando
mais e mais. Eu me perguntei se ele ia acabar um
dia. Mas, apesar da noite ter se passado
implacavelmente, não foi a pior noite da minha vida. Eu tirei conforto
disso. E eu não estava sozinha. Havia uma boa quantidade
de conforto nisso também. O medo
de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar,
apesar de eu não ter ficado quieta - ele provavelmente
não dormiu mais que eu. A minha compreensão
tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada
erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia
causado, as coisas pequenas e as coisas grandes.
Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a
Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que
eu não podia

ignorar e nem negar. Eu me dei conta de que estive errada o tempo
inteiro sobre os imãs. Não eram Edward e Jacob que eu
estava tentando forçar a ficarem juntos,
eram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob.
Mas elas não podiam existir juntas, e eu nunca devia
ter tentado. Eu havia causado tanto
dano. Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito
a mim mesma essa manhã - que eu nunca faria Edward
ver vertendo outra lágrima por Jacob.
Esse pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais
do que a choradeira. Mas isso passou também, quando
teve que passar. Edward disse pouco; ele
só me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de
água salgada. Levou mais tempo do que eu esperava
para aquela parte menor de mim, a parte quebrada,
chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o
suficiente pra dormir. A inconsciencia não trouxe
alívio completo da dor, só uma calma entorpecida,
como se fosse um medicamento. A tornou mais suportável. Mas ela ainda
estava lá; eu estava consciente dela, mesmo adormecida,
e isso me ajudou a fazer os ajustes
que eu precisava fazer. A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva
mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma
aceitação. Instintivamente, eu soube
que a nova lágrima do meu coração sempre doeria. Isso simplesmente seria
uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais
fácil - isso era o que todo mundo sempre
dizia.

(Eclipse)

*****
Bella com ciúmes de Renesmey - So sorry, mas eu não consegui não postar
essa parte!!!



"Eu olhei
para Jacob, uma expressão meio furiosa e ansiosa. Os olhos dele estavam
fixados no rosto de Renesmee. Com todos colados,
foi tocado no mínimo por seis vampiros diferentes
naquele momento, e não pareceu incomodá-lo nenhum pouco. Ele realmente
iria continuar para me proteger de mim mesma? O que
poderia ter acontecido durante minha transformação---
minha alteração em algo que ele odeia --- que poderia o tornar tão
afetado para essa necessidade? Eu pensei nisso,
vendo-o
encarando minha filha. Encarando ela como...
como se ele fosse um homem cego vendo o sol pela primeira vez.

"Não!" Eu disse. Os dentes de Jasper se juntaram e os braços de Edward
se colocaram no meu corpo como se estivesse me enforcando.
Jacob tirou Renesmee dos meus braços
no mesmo segundo, e eu não tentei segurá-la. Porque eu senti vindo --- o
momento
pelo que eles estavam esperando. "Rose," Eu disse
entre meus dentes, bem lentamente e precisa.
"Pegue Renesmee." Rosalie a abraçou em seus braços, e Jacob deu minha
filha para ela de primeira. Ambos se afastaram de
mim. "Edward, eu não quero te ferir, então
por favor se afaste de mim." Ele hesitou. "Vá ficar em frente à
Renesmee," Eu sugeri. Ele deliberou, e então me soltou.
Eu me desviei da minha multidão de caça e
dei dois lentos passos em direção a Jacob. "Você não.." Eu disse a ele.
Ele se afastou, com as palmas das mãos para cima,
tentando argumentar comigo. " Você sabe
que não é algo que eu posso controlar." " Seu estúpido vira-lata. Como
você pôde? Meu bebê!" Ele se jogou na frente da porta
agora enquanto eu o enfrentava, meio
querendo se afastar para as escadas. "Isso não foi idéia minha, Bella!"
"Eu a segurei uma vez, e você já achou que você
teve algum direito sobre ela? Ela é minha
"Eu posso dividir", ele disse argumentando conforme recuava pelo
gramado. "Pague por isso" Eu ouvi Emmett dizer atrás de
mim. Uma pequena parte do meu cérebro perguntou
quem tinha sido contra esse resultado. Eu não perdi muita atenção nisso.
Estava tão furiosa. "Como você se atreve a ter
impressão com meu bebê? Você perdeu a noção?"
"Isso foi involuntário!" Ele insistiu, indo para as árvores. Então ele
não estava sozinho. Os dois grandes lobos reapareceram,
ao lado dele. Leah me tocou. Um apavorante
resmungo se rasgou através de meus dentes de volta a ela. O som me
perturbou, mas não o suficiente para me impedir de avançar.
"Bella, você poderia me ouvir apenas
por um segundo? Por favor?" Jacob implorou. " Leah, sai fora," Ele
adicionou. Leah enrolou seus lábios para mim e não se
mexeu. "Por que eu deveria escutar?" Eu
falei em tom de desaprovação. A fúria dominando minha cabeça. Isso
preencheu tudo e todos. "Porque você é a única que me
disse isso. Você lembra? Você disse que
nós pertencíamos a vida um do outro, certo? Que nós éramos família. Você
disse que era como se você e eu fossemos destinados.
Então... Agora nós somos. `o que você
queria." Eu o olhei ferozmente. Eu lembro dessas palavras. Mas meu novo
cérebro estava a dois passos de tirar sua cabeça.
"Você acha que você vai ser parte da minha
família sendo meu genro!" Eu disse. Minha voz passou por duas oitavas e
continuou parecendo música. Emmett riu. "Pare ela,
Edward," Esme disse. "Ela vai se arrepender
se o ferir." Mas eu senti uma perseguição atrás de mim. "Não!" Jacob
estava insistindo na mesma hora. "Como você não pode
ver isso dessa forma? Ela é apenas um bebê,
por todos os demônios!"

"Esse é meu ponto!" Eu gritei. "Você sabe que eu não penso nela dessa
maneira! Você acha que Edward teria me deixado viver
esse tempo todo se eu a visse assim? Tudo
que eu quero é que ela tenha uma vida feliz e segura--- Isso é tão ruim?
`muito diferente do que você quer?" Ele estava
gritando de volta para mim. Além das palavras,
eu gritei um resmungo a ele. "Ela é maravilhosa, não é?" Eu escutei
Edward dizer. "Ela não foi ao pescoço dele nem mesmo
uma vez," Carlisle concordou, parecendo
chocado. "ôimo, você ganha essa," Emmett disse rancorosamente. "Você
ficará longe dela," eu assobiei para Jacob. "Não posso
fazer isso!" "Tente.Começando
agora." "Não é possível. Você lembra o quanto me queria por perto três
dias atrás? O quanto era difícil estarmos separados
um do outro? Isso acabou pra você agora,
não é?" Eu olhei furiosa, incerta do que ele estava implicando. "Isso
era ela," ele contou. "Desde o começo. Nós tivemos
que estar juntos, até depois." Eu me lembrei,
e então entendi; uma pequena parte de mim estava aliviada por ter a
loucura explicada. Mas aquela ajuda de alguma forma
só me fez ficar mais irritada. Ele estava
esperando que aquilo fosse o bastante pra mim? Que aquele único
esclarecimento me faria achar tudo bem? "Fuja enquanto você
ainda pode," Eu ameacei. "Vamos lá, Bells!
Nessie gosta de mim também," ele insistiu. Eu congelei. Minha respiração
parou. Por trás de mim, ouvi a falta de som que
eram suas ansiosas reações. "Do que... você
a chamou?" Jacob deu um passo para trás, dando um olhar envergonhado.
"Bem," ele murmurou, "Aquele nome que você sugeriu
é meio que boca cheia e ­" "Você apelidou
minha filha de O monstro do Lago Ness?" Eu berrei. E então disparei
contra sua garganta.
"



(Amanhecer)

P.S.: Submissa? Mesmo?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Você definiria isso como ridículo?

"andei entre os meus, e entre os seus... O tempo
todo pensando que eu era completo comigo mesmo, sem perceber o que procurava. E sem encontrar nada, porque você ainda não estava
viva."
(Edward para Bella - Crepúsculo)


" Antes de você, minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas havia estrelas... Pontos de luz e razão... E depois você atravessou meu céu como um meteoro.
De repente tudo estava em chamas; havia brilho, havia beleza. Quando você se foi, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou, mas meus olhos
ficaram cegos pela luz. Não pude mais ver as estrelas. E não havia mais razão para
nada."
(Edward para Bella, em Lua Nova)

"Minha vida era uma meia-noite imutável, infinita. Devia ser, por necessidade, sempre meia-noite
para mim. Então como era possível que o sol estivesse nascendo agora, bem no meio da minha
meia-noite?"
(Edward pensando sobre Bella, em "Sol da Meia-noite".

Eu sempre acho muito estranho quando pessoas que detestam a série
elencam estas frases como ridículas e, até mesmo, indicativas de baixo
amor próprio.
Admito que a objetividade faz bem, entretanto, a se a vida sem
poesia não é lá grande coisa, imagine o amor sem aquela?
Um dos motivos que fazem de Twilight uma leitura prazerosa e terna,
é ver o gérmen de um amor imenso surgir, primeiro em frases
"descabeladamente românticas"; depois dar frutos em testemunhos, para,
enfim, encontrar a glória em uma união estável, sólida e respeitosa.
Vida longa aos que se enternecem com frases desse naipe! Que a vida
os trate bem e que, quando o amor as visitar, deixe, no seu rastro, uma
trilha de ternura e delicadeza, que possa servir de repositório de
forças morais das quais o relacionamento possa se nutrir, diante das
fases negras, inerentes à vida na Terra.

*****

Todas as Cartas de Amor são Ridículas


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Álvaro de Campos)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas"

Às vezes eu gostaria que Twilight tivesse sido apenas uma série a
mais, sem tanta projeção. Então, os livros seriam apenas livros, com
virtudes e defeitos, como tantos outros que existempor aí.
Entrementes, vejo autores buscando o êxito e, muitas vezes, invejando
o alcance dos escritos de tia Steph... E enquanto eles têm inveja, eu
tenho pena, quase de chorar.
Eu francamente não entendo como um livro no qual o sexo é mais
insinuado que explícito, está gerando em sua esteira um comércio
tão vulgar e pornosóide, para um público-alvo majoritariamente menor de
idade. Terrificante.
E isso porque Edward e Jacob não são, nem de longe,
as figuras mais sensuais que a literatura de entretenimento já produziu.
Fiquei imaginando como teria sido se o personagem fosse um François
Tavernier, por exemplo.
A verdade é que, blasé ou nao, Edward tem alguma classe, enquanto os
produtos sexistas gerados em sua honra certamente não possuem nenhuma, o
mesmo extensivo a Jacob.

E entre ridículo, fanatismo e a falta de bom gosto crônicos, eu
olho para a história - apenas ela, sem mesmo as capas - e lembro "da
força da grana que ergue e destrói coisas belas". Vendo tudo isso,
ainda penso nos atores... Estar envolvido por uma egrégora tão
gratuita
e intensa de sensualidade não pode ser inofensivo para uma pessoa. Que
Deus os abençoe.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fico me perguntando se todos lemos o mesmo livro

Sim, sim, com mais frequencia do que seria de se supor, eu me faço
essa pergunta.
Uma acusa tia Steph de ter feito Edward Cullen um homem perfeito -
assim é muito fácil fazer um ídolo: apenas pegue todas as virtudes,
nenhum defeito e está pronto.
Objetivamente, aonde ela estava quando passou por páginas em que ele
manipulava, superprotegia e até mesmo mentia?
A primeira grande mancada dele foi deixar a Bella "para seu próprio
bem", sem perguntar a opinião dela. Ele mereceuu que Jacob se m etesse
no meio, e mereceu quase perder a garota por causa disso.
A segunda foi quando ele decidiu se matar, sem se permitir um
milímetro sequer de dúvida; a terceira foi quando ele pegou no pé da
Bella sobre ela ver Jacob, afinal de contas, lobisomens são muito
instáveis - sim, sim, e Jasper é um poço de estabilidade, naturalmente.
Depois, quando ele mentiu para Bella, quando Victoria viria em seu
incalço, e ainda reclamou de Jacob quando este lhe disse a verdade,
proferindo a frase mais irritante de todo o livro "melhor enganada que
assustada".
E a lista continua até amanhecer, quando ele só não faz mais
burradas, porque a maior parte do livro é narrada por Jacob Black e ele
está ocupado demais com tudo que acontece em torno para se fixar nas
erros de Edward. Mas, a propósito, ele mente para ela por causa de uma
besteirinha. Uma "mentira inofensiva", mas totalmente desnecessária.
Há, entretanto, outras que dizem que Edward é horrível, não tem nada
de bom e coisas assim.
Me pergunto aonde elas estavam quando ele pediu desculpas a Bella de
todas as vezes, e não só pediu desculpas como mudou, efetivamente. OU
ainda aonde elas estavam quando ele forneceu a Jacob doses de
honestidade e transparência que seriam impossíveis de esperar, ou quando
ele deixou Bella livre para escolhewr com quem realmente queria ficar, e
ainda esteve com ela enquanto ela chorava toda a dor por ter desistido
de Jacob, sem uma reprimenda sequer; ou ainda quando ele se colocou de
verdade em segundo plano, em atenção às necessidades ou ao bem-estar de
outras pessoas, não uma, mas várias vezes.
OUtras dizem que Bella é submissa. Submissa? Aonde elas estavam nas
diversas vezes em que Bella briga com Edward e vence a questão, a
propósito?
Conclusão: Edward é o vampiro mais humano que eu já li e,
definitivamente, nem todos lemos o mesmo livro.
Mas, voltando às diferenças de interpretações e sentimentos, vi uma
comunidade com o gentil nome de "Edward, me chama de garrafinha",
aludindo à passagem em que Bella está bebendo limonada e eles conversam.
Acho que elas pensam que Edward é quem bebeu a tal limonada (não me
perguntem como), e dizemq que querem ser a garrafinha para estarem na
boca dele.
Alô!!! Edward mordeu um pedaço de pizzaa. Se vocês quiserem ser
chamadas de pizzinhas, vão em frente, mas lembrem-se de que, quem comeu
o resto do pedaço foi a Bella.
Garrafinha ou pizzinha, portanto, é na boca da Bella que vocês vão
parar. Gostar ou detestar, tá valendo, mas com um mínimo de coerência!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Nem tanto ao céu, nem tanto à Terra - acertando as contas com Edward Cullen

Normalmente as pessoas analisam Twilight por trechos, capítulos, e
parecem nem perceber que a série é, em última análise, um processo.

O que eu vejo ali é um par improvável tentando construir algo
juntos e sendo pressionado o tempo todo.

Edward e Bella sempre estão sob
pressão e buscam lidar com ela sem soltar a mão um do outro. Nesse
exercício, ambos cometem erros, sim... Especialmente Edward, primeiro
fingindo que não gostava mais dela para tentar protegê-la dos riscos de
namorar um vampiro. Então ela encontra Jacob e acaba ficando dividida entre os dois... OU
melhor, como ela mesma admite, dividida entre a Bella de Edward e a
Bella de Jacob. Então ele volta
e, claro, os problemas apenas continuam. Além de ter que lidar com
todos eles, Edward vive o desespero de perceber que a pessoa que ele ama
está quase, quase gostando de outro alguém. De verdade, só quem viveu
isso na pele tem a mínima noção do que significa... E deve ser pior
ainda você perceber que tudo está acontecendo por sua culpa.

"quando eu deixei você, Bella, eu te deixei sangrando. Foi Jacob que te costurou de novo. Isso tinha chance de deixar marcas
em vocês dois. Eu não tenho certeza de que esses pontos se dissolvem sozinhos. Eu não posso te culpar por uma coisa que
eu tornei necessária. Eu posso ganhar perdão,
mas isso não me deixa escapar das consequências".

Então, nesse processo de tentar atraí-la de volta, Edward erra, sim,
como a parte que todo mundo aponta, quando ele tenta impedir Bella de
ir ao encontro de Jacob, avariando o motor do carro dela, ou quando ele
pede para Alice vigiar a namorada. Mas eu acho
muito engraçado - e parcial - ninguém se lembrar de que, depois, ele
pediu desculpas a ela por tudo isso e passou, na verdade, a levá-la
pessoalmente ao encontro de Jacob, não porque ele tivesse desistido de
Bella,
mas porque ele colocasse o direito dela de estar aonde desejava acima
do próprio ciúme.
Eu acredito que podemos sentir o amor mais perfeito do mundo, mas, sob
pressão, o erro faz parte da vitória. O que me frustra em diversos
autores de romance, é que o fato de amar
incondicionalmente e ser correspondido, faz da relação uma estrada sem
curvas nem obstáculos. Uma pessoa pode não gostar de Bella ficar
dividida entrtre Jacob e Edward, de Edward ter tentado controlá-la, de
Jacob aparecer no meio dos dois, mas é assim que a vida funciona. E,
contrariando o que muitas vezes acontece fora dos livros, os personagens
agem com o máximo de dignidade, tentando colocar o respeito pelo outro
em primeiro lugar, tentando, cada qual, tomar para si as próprias
responsabilidades, em lugar de ficarem com joguinhos de "de quem é a
culpa aqui", como muitas vezes acontece no dia-a-dia.
Um dos pontos que mais me encanta na série é que os personagens
tentam, por amor, superar seus limites... E conseguem.
Sei também que muitas pessoas criticam a intensidade do amor entre
os dois. Todavia realmente existem amores assim: inexoráveis,
inevitáveis, que não permitem alternativas.
Normalmente esses relacionamentos, de tão intensos, podem ter
episódios de desequilíbrio, entretanto, *se o sen timento é verdadeiro*,
o par é capaz de perceber as falhas e buscar outras saídas. É o
que eles fazem o tempo todo.
Então, eu não nego a maior parte das críticas que fazem a Edward
Cullen, do mesmo modo que concordo com a maior parte das feitas a Bella.
O que nunca vi ser elencado, porém, é que tudo isso faz parte de um
processo, como se uma pessoa julgasse um poema inteiro por uma rasura
que o autor precisou fazer, para ajeitar uma estrofe.
Twilight não é a história de um vampiro obsessivo, controlador e
manipulador apaixonado por uma menininha mimada, insegura, desastrada e
dramática; é o processo desses dois indivíduos. E quem ler com atenção
não poderá negar que, além de superarem os obstáculos infrigidos pela
trama, eles também superam a si mesmos... O que é o ponto auto da obra
para mim, o que me faz engolir a literatura de qualidade amplamente
discutível.,
Uma boa história salva um livro ruim, do mesmo modo que qualidade
literária não transforma um enredo fraquíssimo.
Na minha cabeça, então, Edward Cullen não é nem santo, nem
psicopata; é apenas um ser humano tentando ser melhor por amor. Idem
para Bella.
Também acredito que o ponto auto dele não é o romantismo, mas como ele
lida com as próprias limitações, mas isso já é assunto para outro post.

Eles morrem de rir e eu morro de pena

Vira e mexe os que não apreciam Twilight comentam a comicidade das
comunidades do Orkut feitas por fãs de Edward Cullen. A coisa é mesmo
digna de ser notada. Essas comunidades multiplicam-se quase que
milagrosamente pela rede social, com jovens desesperadas e deprimidas
porque não existem homens como Edward Cullen. Elas declaram seu amor ao
protagonista de Twilight, e o fato de ele não ser real, não contribui em
nada para o fim da alucinação.
Edward Cullen passou a ser, assim, o ideal romântico de quase toda
uma geração, porque creem fervorosamente que seu romantismo é, sim,
matéria de exceção... E não é.
Agora, vamos pensar: somos parte de uma geração que foi incentivada a
adotar os relacionamentos rápidos
como forma predominante e até preferencial para relacionamentos
românticos . Os
envolvimentos são explosivos e de curta duração, sem nenhum espaço
para a observação, para a aproximação gradativa, para a expectativa do
primeiro beijo, para a intimidade física conquistada passo a passo. A
ordem agora é beijar, e beijar muito, como se a felicidade estivesse na
quantidade, não na qualidade das vivências; como se um beijo não
fosse tão importante assim em si mesmo, como se relacionar-se
romanticamente fosse mais ou menos como trocar de roupa ou usar um sapato
cobiçado pelas demais. Superar desafios juntos, crescer juntos, confiar
irrestritamente no outro? Esqueça, afinal, "quem quer sofrer"?
Então vem tia Steph e coloca dois personagens adolescentes - sim,
porque, em muitos aspectos, Edward não passa disso - e narra, tim tim
por tim tim, todas as etapas de um processo quase esquecido pela grande
maioria.
Primeiro eles se olham. Depois, surpreendentemente, ele puxa
conversa com ela... E começa todo aquele clima de "ai, meu Deus, estou
apaixonado / será que vou ser correspondido?"; depois eles começam a
namorar; então eles se beijam. A intimidade física é uma conquista
paulatina ali, também, bem como a intimidade emocional.
Me perdoem as fãs entusiasmadas, mas tudo que tia Steph descreve é,
mais ou menos, parte de amar e ser amado, de quem vivencia a paixão e a
ternura a dois de forma aprofundada.
E sabe o que dá vontade de chorar? Todos temos o direito de viver
algo assim. O problema é que, em boa parte dos casos, moças e rapazes
vivem tudo rápido demais.
Quando eu vejo garotas histéricas, derretidas por Edward Cullen,
fico com uma esperança doce de que elas passem a ter expectativas mais
delicadas, mais respeitosas consigo mesmas, em lugar de adotarem a
prática de passar de mão em mão a qual são quase empurradas, em algumas
ocasiões.
Suspirar por ser a única de alguém, suspirar por encontrar uma
pessoa que as ache especiais, mesmo elas sendo comuns, suspirar por
alguém que lhes devote fidelidade irrestrita e atenção concentrada não é
tolice nem fanatismo; é demasiadamente humano, parte da adolescência e
algo extremamente saldável, em termos de ideal de vida.
Claro que há quem suspire por outros quesitos - beleza, dinheiro...
- Mas aí já é assunto para outro post.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Finalmente, um chute no determinismo

Das escolas literárias, o Naturalismo é a que menos me agrada. Isso
porquê, a nortear todas as suas obras, dentre outras teorias, está o
Determinismo. O resumo da missa é simples: o homem é moldado pelo meio.
O livre-arbítrio nada pode contra ele. O homem é o que é, e está fadado
a permanecer no mesmo patamar, isto, claro, se não cair em uma aspiral
descendente instigada pelos que estão em seu derredor.
As duas obras mais significativas da escola no Brasil são "O Ateneu" e "O
Cortiço". Achei ambas leituras muito tristes. Compreendo que a vida seja
regada de sacrifícios vários e que tanto o meio quanto o ser em si sejam
barreiras difíceis de romper. Entretanto acredito no amor e na força de
vontade.
Do pó às estrelas, rezava o Talmud; "Vós sois deuses", cantava o
Mestre de Nazaré.
De qualquer modo, esta escola penetrou em todos os gêneros
literários, mesmo na fantasia e no terror. Dentre as obras de peso
escritas sob esse sopro, duas fizeram um sucesso que perdura até os dias
de hoje.
Na primeira, "FRANKENSTEIN", de
Mary Shelley, um gênio "brinca de Deus" e faz, com suas próprias mãos,
outro ser, que embora se pretendesse humano, era um monstro, no final de
contas. Sua aparência era aterrorizante e hedionda.
Frankenstein passa, assim, a maior parte do livro em busca de
amor e aceitação e é rechaçado até que se torna um assassino. E nessa
esteira o livro conduz, criador e criatura, de desgraça em desgraça, de
sofrimento em sofrimento, até a morte de ambos, trazendo consigo uma
esteira de assassinatos e de misérias morais. Frankenstein tenta fugir
à sina de monstro e vingador e falha redondamente, por não contar com
sequer uma chance de amar e ser amado.

Então temos Gaston Leroux e seu merecidamente consagrado "O fantasma
da Ópera". Eric não foi forjado por mãos humanas, mas por algum motivo
tinha aparência tão terrível, que nem mesmo sua mãe suportou olhá-lo.
Seus talentos lhe renderam lugar em um circo, mas não uma admiração
legítima. Assim foi que, após diversas peripécias, ele esconde-se no
subsolo da ópera de Paris e, de feio e fantasmal, converte-se em anjo
para sua amada, a cantora lírica Christine Daaé. Tudo vai muito bem, até
que ela reencontra um amigo de infância e Eric faz de tudo para
conservá-la... E a perde. Não discuto aqui os méritos e deméritos de
Eric e Raoul; apenas friso que, se ele soubesse da existência do
Determinismo e da história do seu símile literário, o Frankenstein, não
teria ousado esperar ser correspondido pela sua bem-amada.
Ambos constituem uma leitura comovente e marcante, mas também
extremamente melancólica. Pessoalmente, marcou-me muito as lamúrias de
Frankenstein sobre sua solidão e falta de oportunidade de amar e ser
amado, apesar de sua aparência.
É comovente, por exemplo, a passagem em que ele e seu criador se
encontram e ele praticamente lhe implora afeto e dignidade, sendo
rechaçado irrevogavelmente.

— Que posso fazer para abrandá-lo? Não haverá súplica capaz de modificar sua atitude para com sua criatura que lhe
implora bondade e compaixão? Creia-me,
Frankenstein, eu era bondoso. Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente só, como
agora. Se você, que é meu criador, me
renega, que posso esperar de seus semelhantes, que nada me devem? Deles só tenho recebido o escárnio e a
repulsa."
No mesmo tom, Eric esbraveja:

"Você está chorando? Tem medo de mim? No fundo, entretanto, eu não sou mau! Ame-me e verá!
Só me faltou ser amado para ser bom! Se você me amasse, eu seria doce como um cordeiro e você faria de mim o que
quisesse."
E Nelson Mandella conclui:
"As pessoas não são amadas porque são boas; elas são boas porque são
amadas".
Eu sempre maldizia a influência determinista que impediu os autores
de darem uma chance aos seus personagens destinados ao mal e à solidão,
a amar sem serem amados.
Então, apesar das múltiplas falhas, tia Steph me fez esse imenso
favor: deu um chute no determinismo e deu aos seus personagens uma
chance de serem felizes e de superarem a si mesmos. Fez vampiros que
constrangem sua cede assassina ao respeito pela vida humana
conquistando, assim, mais humanidade para eles próprios; fez Bella que,
apesar de todas as limitações permite Edward mostrar a que veio não só
uma, mas duas vezes.


Eu me comovo sempre que leio o instante em que Bella e Edward se
encontram, na cerimônia de casamento. Minha imaginação literária vê, no
seu triunfo, uma libertação na literatura fantástica, um rompimento com
o Determinismo que, não obstante exista, de fato, não é de modo nenhum
regra... Graças a Deus!

Eu flutuei nas escadas junto com as fragrâncias
das milhares de flores. Eu me concentrei na idéia de Edward me esperando lá embaixo pra fazer
os meus pés se moverem. A música era familiar, uma marcha tradicional de Wagner cercada por um monte de embelezamentos.
"É a minha vez", Alice chiou. "Conte até
cinco e me siga. Ela começou a descer as escadas lenta e graciosamente. Eu devia ter me dado conta que ter Alice como minha
única dama de honra era um erro. Eu ia
parecer muito mais descoordenada andando atrás dela. Um súbito ruído de juntou à música. Eu reconheci a minha deixa. "Não
me deixe cair, pai", eu sussurrei. Charlie
pôs a minha mão em seu braço e a apertou com força. Um passo de cada vez, eu disse a mim mesma enquanto começava a descer
ao lento som da marcha. Eu não ergui meus
olhos até que os meus pés estavam seguros no chão, apesar de conseguir ouvir os murmúrios e ruídos da platéia enquanto eu
aparecia. O sangue subiu pro meu rosto
por causa do som; é claro que já se esperava que eu fosse uma noiva corada. Assim que os meus pés tinham vencido as escadas
traiçoeiras, eu estava procurando por
ele. Por um breve segundo, eu fiquei distraída com a profusão de botões de flores brancas que pendiam de guirlandas em qualquer
parte da sala que não estivesse viva,
caindo em longas filas de leves laços brancos. Mas eu separei meus olhos dos arcos das portas e procurei pelas fileiras
de cadeiras cobertas de cetim ­ ficando ainda
mais vermelha quando vi a multidão de rostos olhando pra mim ­ até que eu finalmente o encontrei, de pé perto de um vaso
com mais flores ainda, e mais laços. Eu
mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e do pai de Angela atrás deles dois. Eu não vi minha mãe de onde ela
devia estar sentada na primeira fileira,
nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados ­ eles teriam que esperar até mais tarde. Tudo o que eu realmente
via era o rosto de Edward; ele encheu minha
visão e dominou minha mente. Os olhos dele estavam claros, ouro em chamas; seu rosto perfeito estava quase parecendo severo
com a profundidade de suas emoções. E
aí, quando ele encontrou meu olhar abismado, ele se quebrou em um sorriso feliz de tirar o fôlego. De repente, a única coisa
me impedindo de correr pelo corredor
era a mão de Charlie apertando a minha. A marcha era lenta demais enquanto eu tentava fazer meus pés acompanharem o ritmo.
Por sorte, o corredor era bem curto. E
finalmente, finalmente, eu estava lá. Edward estendeu sua mão. Charlie pegou minha mão e, num símbolo tão velho quanto o
mundo, colocou-a sobre a mão de Edward.
Eu toquei o frio milagre de sua pele, e eu estava em casa. Nossos votos foram simples, palavras tradicionais que já foram
ditas milhões de vezes, apesar de nunca
por um casal como nós.

Vamos comparar margarina com lentes de contato

Ninguém pretende que Twilight seja a "fina flor" da literatura
mundial. O livro se propõe a ser apenas uma obra de entretenimento
juvenil e, nisso, cumpre seu papel.
Claro, claro, não agrada a todos indistintamente, mas, no final de
contas, o que agrada? Então, é hora de aceitar esse fato.
Vejo alguns vendo diamante em missanguinha, colocando a obra lá nas
alturas - só Deus sabe de onde; outros, por sua vez, esperneiam como
desesperados, porque o enredo é ruim, porque o inglês da autora é
discutível e, o que para mim é ainda mais curioso, porque tal e qual
obra é melhor.
Já vi gente revoltada porque Harry Potter é melhor que Twilight, e
até mesmo gente fazendo paralelos entre Edward e o Fantasma da Ópera,
Raoul e Jacob Black.
NO meu entender, isso é tão produtivo quanto comparar pirulito a
pilhas Everest, margarina com botões de pressão e alicates de unha com
Bactrim F. Não tem nada a ver. AHn, certo, tem: são livros e fizeram
sucesso. Mas só.
Pessoalmente, considero-me tripolêmica em muitos pontos, mas em
questões literárias, sou excepcionalmente cordial: gosto de me definir
como "devoradora de livros", e penso que a alcunha seja justa para quem
lê, pelo menos, um por semana. Nessa toada, além de ter lido Crepúsculo,
li todos de Harry Potter (mais de uma vez cada), todos de Tolkien, mais
toda coleção do Benítez, sem falar em Gaston Leroux, "A menina que
roubava livros", livros espíritas e espiritualistas aos montes,
evangélicos, literários e de "bancas de jornal". Cada estilo serve a um
propósito que é cumprido mais ou menos bem. Entretanto, acho perigosa a
tendência de comparar uns aos outros com a justificativa de que fizeram
ou não sucesso.
Quanto a Twilight ter emplacado diante de obras superiores que
sequer têm visibilidade, não é culpa da Stephanie Meyer, mas da
sociedade em que vivemos.
Com efeito, se você quiser produzir arte de qualidade, tem todo o
direito e, em certos casos, até o dever. Mas não espere a aprovação da
maioria. Quem quer investir na excelência, deve se acostumar ao
reconhecimento de uma minoria, isso se tiver bastante sorte. A maioria
regularmente não pensa e muitas vezes é medíocre.
Se eu acho isso justo? Claro que não. Mas aqui não estamos falando
de justiça, mas da realidade.
Eu estava muito envolvida com fãs de Harry Potter. Vivi praticamente
todas as fases de espera e júbilo por cada livro e filme intensamente, e
eu garanto que, na época, as coisas eram bem diferentes. Hoje Harry
Potter é um clássico da Literatura infanto-juvenil; no passado
não foi exatamente assim: J. K. Rowling foi acusada de transmitir às crianças valores
odientos - para vocês terem uma idéia, teve gente acusando-a de
pró-aborto por causa do formato das raízes das mandragoras no livro "a
câmara secreta"! E as pessoas diziam: Harry Potter não é fantasia!
Tolkien... Aquilo sim é que é autor... Do mesmo modo que hoje dizem:
Meyer é horrível! Rowling, aquela sim é que sabia escrever.
Quanto aos vampiros descaracterizados, a realidade é simples e
talvez doa: vampiros não têm direitos autorais. A história é dela e ela
pode fazer o que quiser com ela, inclusive inventar vampiros que brilhem
no Sol e se alimentem de sangue de animais.
Pessoalmente eu gostei muito das inovações, sobretudo da parte de
não matarem pessoas. Deixou a psicosfera menos pesada, mais suave. Mas,
claro, qualquer um tem o direito de discordar de mim e da Stephanie
Meyer, em particular. Só não vale perder a educação por causa disso,
afinal, é apenas um livro.
E para aqueles que se revoltam imensamente com o fato de Twilight
agora ser febre, vai uma boa notícia: febre vem... E passa.
Garanto que, daqui dez anos, o contingente de fãs será diminuído
drasticamente.

Um cara normal x Edward Cullen - Uma análise minimamente racional

Já vi isso tantas vezes, que preciso escrever a respeito:

Meus comentários marcados por asteriscos


Comparando um cara normal à Edward Cullen

Um cara normal diria: Te amo, baby!
Edward Cullen diria: Você agora é minha vida.

****

O que é a mesma coisa, só que com mais lantejoula.

Um cara normal diria: Acho que estou me apaixonando por você.
Edward Cullen diria: O leão se apaixonou pelo cordeiro.

***

Essa frase fica bonitinha no contexto. Mas, pelo amor de Deus, que
cara diria uma frase dessas para uma garota? Pelo amor de Deus,
visualizem a cena... O cara olha pra você, do nada e diz "então o leão
se apaixonou pelo cordeiro".... Parece coisa de psicopata.



Um cara normal diria: Seu cabelo esta parecendo um monte de feno; vá
pentear!
Edward Cullen diria: Seu cabelo esta parecendo um monte de feno, e está
muito lindo.


***

Um namorado normal poderia dizer as duas coisas. Depende da fase do
namoro. A frase do Edward seria para o primeiro dia de namoro - o que
era o caso no livro; a outra frase seria para os dias posteriores, o que
está mais que certo. Sejamos objetivos: quem aguentaria essa melação
todos os dias? E, a propósito, aonde vocês estavam quando Edward diz,
com todas as letras, que Bella está fedendo?


Um cara normal escolheria uma música qualquer de um artista por aí e
dedicaria a você.
Edward Cullen cantaria uma música que ele escreveu em sua homenagem
enquanto tocasse piano.

***

Sendo ele compositor e pianista e tendo um piano em casa, não faz mais que quase
sua obrigação. Além do mais, existe uma penca de "caras normais"
compondo músicas para suas amadas... E lindas músicas, a propósito. De
onde vocês acham que os compositores buscam inspiração para escreverem
suas músicas de amor?

Se você morresse, um cara normal encontraria outra.
Se você morresse, Edward se mataria porque a vida sem você não valeria a
pena viver.

***

Suicídio não é bonitinho, gente. Pode ter pompa, mas não é legal.
Edward estava errado quando tentou, e eu pensei que a autora tivesse
deixado isso muito claro nas concequencias:
1 - Ele ia se matar com Bella ainda viva!
2 - Ele chamou a atenção dos Volturi para a família Cullen, o que rendeu
parte da confusão dos livros seguintes;
3 - Ele tenta se suicidar, Bella é posta em risco para tentar salvá-lo e
ainda por cima fica de castigo por causa dele.
Então, por mais lindo que vocês
tenham achado ele lá, parado em Volterra, prestes a morrer por amor
enquanto Bella saía gritando "Edwaaaaard!" por entre a multidão, por
mais que vocês tenham adorado ela se atirando nele e ele a recebendo com
versos de Shakspeare sussurrados ao pé do ouvido, por mais que vocês
tenham se excitado com a
adrenalina do momento, suicídio não é
prova de amor. Ponto.





Quando você sai de casa, um cara normal diria: Tchau, nos vemos depois!
Quando você sai de casa Edward Cullen diria: Volte para mim, meu amor.

***

Ooops, aonde ele diz isso? *confusa*
A propósito, em mais de uma ocasião ele pede para ela sair de casa.
Apenas um único exemplo: Eclipse, cap 1.

Quando você voltasse pra casa, um cara normal estaria vendo tv e nem
notaria.
Quando você voltasse pra casa, Edward Cullen estaria te recebendo ao som
de uma música ao piano.

***

Ele só faz isso uma vez. E, sem querer desmerecer o romantismo, ele
já estava ao piano quando ela se aproximou da casa. Foi só mudar a
música. E, gente, de boa, muitos namorados /
maridos são bem mais conscientes da presença da companheira que isso aí.



Um cara normal, enquanto dirigisse, manteria uma mão no volante e outra
no rádio.
Edward Cullen, enquanto dirigisse, manteria uma mão no volante e outra
deslizando por seus cabelos.

***

É tão incomum assim rapazes tocarem as parceiras nos carros??? Um,
eu acho que não.


Quando estivessem em diferentes lugares, um cara normal diria: Sinto sua
falta.
Quando estivessem em diferentes lugares, Edward Cullen diria: É como se
você tivesse levado metade de mim junto a ti.

***

Aonde ta essa frase? E o sentido é o mesmo.


Um cara normal nem notaria ou se importaria que você tivesse pesadelos.
Edward Cullen cantaria até que seus pesadelos se fossem.

****

Meu marido não é, de jeito nenhum, romântico como Edward...
Mas ele se importa muito com os meus
pesadelos, especialmente quando eu fico gemendo ou gritando por causa
deles - que era justamente o que Bella fazia. Então, vai por mim: se
você estiver na mesma cama com a pessoa, ignorar os pesadelos dela não
é uma opção viável.


Um cara normal esperaria você trazer café da manhã pra ele.
Edward Cullen te faria café da manhã todos os dias.

***

NOs livros ele só faz café da manhã para ela uma vez: na Lua de Mel.
Levando em conta como ele se sentia sobre a noite anterior, era o
mínimo que podia fazer.
A propósito, caras normais esperam que a mulher leve café na cama
para eles?


Um cara normal compra flores e chocolates pra você.
Edward Cullen te compra um carro. (A melhor parte! HAHA!)



***

*Acho que vou vomitar* Tudo bem, que seja. Com a dinheirama toda que
ele tinha, isso era bem natural. Mas se vocês querem mesmo saber, ele
comprou aquele carro mais por ele, que se sentia incomodado com a
velocidade do dela, que para Bella, que, se vocês não lembram, se sentia hiper
constrangida por ser o centro das atenções. Na verdade, ele praticamente
obrigou-a a aceitar o carro. E então, continua sendo ponto para Edward?



Sim, eu estou "descontruindo" a figura do Edward. Pelo que acredito,
ele tem méritos, sim, mas os estão em outro lugar.
Isso tudo que é descrito aí são lantejoulas, coisinhas mais ou menos
comuns em começo de namoro. A vida normal é muito mais que isso... E
muito mais gostosa, por sinal.
Observei que as expectativas da autora e de todas que redistribuem
essa mensagem estão muito baixas. Então eu gostaria de dizer que Edward
Cullen não está ao nosso alcanse, afinal, ele nem existe! Mas que,
e+ntretanto, existe por aí muito "cara normal" cheio de amor pra dar.
Basta saber procurar... E impor respeito, quando necessário.

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