Apresentação

Eu sei que existem muitos blogs sobre Twilight, mas todos que eu conheço são extremados: ou Twilight é a primeira maravilha, tendo desbancado já as outras sete, ou é um lixo nuclear, cujo úúnico mérito é arder bem e sendo capaz de alimentar uma boa fogueira.
Este blog, portanto, se propõe a um meio-termo: a criticar algumas coisas, sim, mas, também, a encontrar aspectos positivos que merecem atenção e, até, alguma deferência.

Então, para estabelecer os pontos, sim, eu li os livros, e mais de uma vez. Se gostei? Muito! Mas não espere que eu inveje as descontroladas que arrancaram sangue dos pescoços na presença do ator que interpreta Edward; tampouco esperem que eu assine um daqueles blogs do tipo "porque nós odiamos twilight". Existe um meio termo em tudo isso, e é nele que estou.

Então, por tudo isso, mais um blog sobre Twilight!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas"

Às vezes eu gostaria que Twilight tivesse sido apenas uma série a
mais, sem tanta projeção. Então, os livros seriam apenas livros, com
virtudes e defeitos, como tantos outros que existempor aí.
Entrementes, vejo autores buscando o êxito e, muitas vezes, invejando
o alcance dos escritos de tia Steph... E enquanto eles têm inveja, eu
tenho pena, quase de chorar.
Eu francamente não entendo como um livro no qual o sexo é mais
insinuado que explícito, está gerando em sua esteira um comércio
tão vulgar e pornosóide, para um público-alvo majoritariamente menor de
idade. Terrificante.
E isso porque Edward e Jacob não são, nem de longe,
as figuras mais sensuais que a literatura de entretenimento já produziu.
Fiquei imaginando como teria sido se o personagem fosse um François
Tavernier, por exemplo.
A verdade é que, blasé ou nao, Edward tem alguma classe, enquanto os
produtos sexistas gerados em sua honra certamente não possuem nenhuma, o
mesmo extensivo a Jacob.

E entre ridículo, fanatismo e a falta de bom gosto crônicos, eu
olho para a história - apenas ela, sem mesmo as capas - e lembro "da
força da grana que ergue e destrói coisas belas". Vendo tudo isso,
ainda penso nos atores... Estar envolvido por uma egrégora tão
gratuita
e intensa de sensualidade não pode ser inofensivo para uma pessoa. Que
Deus os abençoe.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fico me perguntando se todos lemos o mesmo livro

Sim, sim, com mais frequencia do que seria de se supor, eu me faço
essa pergunta.
Uma acusa tia Steph de ter feito Edward Cullen um homem perfeito -
assim é muito fácil fazer um ídolo: apenas pegue todas as virtudes,
nenhum defeito e está pronto.
Objetivamente, aonde ela estava quando passou por páginas em que ele
manipulava, superprotegia e até mesmo mentia?
A primeira grande mancada dele foi deixar a Bella "para seu próprio
bem", sem perguntar a opinião dela. Ele mereceuu que Jacob se m etesse
no meio, e mereceu quase perder a garota por causa disso.
A segunda foi quando ele decidiu se matar, sem se permitir um
milímetro sequer de dúvida; a terceira foi quando ele pegou no pé da
Bella sobre ela ver Jacob, afinal de contas, lobisomens são muito
instáveis - sim, sim, e Jasper é um poço de estabilidade, naturalmente.
Depois, quando ele mentiu para Bella, quando Victoria viria em seu
incalço, e ainda reclamou de Jacob quando este lhe disse a verdade,
proferindo a frase mais irritante de todo o livro "melhor enganada que
assustada".
E a lista continua até amanhecer, quando ele só não faz mais
burradas, porque a maior parte do livro é narrada por Jacob Black e ele
está ocupado demais com tudo que acontece em torno para se fixar nas
erros de Edward. Mas, a propósito, ele mente para ela por causa de uma
besteirinha. Uma "mentira inofensiva", mas totalmente desnecessária.
Há, entretanto, outras que dizem que Edward é horrível, não tem nada
de bom e coisas assim.
Me pergunto aonde elas estavam quando ele pediu desculpas a Bella de
todas as vezes, e não só pediu desculpas como mudou, efetivamente. OU
ainda aonde elas estavam quando ele forneceu a Jacob doses de
honestidade e transparência que seriam impossíveis de esperar, ou quando
ele deixou Bella livre para escolhewr com quem realmente queria ficar, e
ainda esteve com ela enquanto ela chorava toda a dor por ter desistido
de Jacob, sem uma reprimenda sequer; ou ainda quando ele se colocou de
verdade em segundo plano, em atenção às necessidades ou ao bem-estar de
outras pessoas, não uma, mas várias vezes.
OUtras dizem que Bella é submissa. Submissa? Aonde elas estavam nas
diversas vezes em que Bella briga com Edward e vence a questão, a
propósito?
Conclusão: Edward é o vampiro mais humano que eu já li e,
definitivamente, nem todos lemos o mesmo livro.
Mas, voltando às diferenças de interpretações e sentimentos, vi uma
comunidade com o gentil nome de "Edward, me chama de garrafinha",
aludindo à passagem em que Bella está bebendo limonada e eles conversam.
Acho que elas pensam que Edward é quem bebeu a tal limonada (não me
perguntem como), e dizemq que querem ser a garrafinha para estarem na
boca dele.
Alô!!! Edward mordeu um pedaço de pizzaa. Se vocês quiserem ser
chamadas de pizzinhas, vão em frente, mas lembrem-se de que, quem comeu
o resto do pedaço foi a Bella.
Garrafinha ou pizzinha, portanto, é na boca da Bella que vocês vão
parar. Gostar ou detestar, tá valendo, mas com um mínimo de coerência!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Se você é Jacob Black

Reza a lenda que isso foi escrito pela tia Steph - o estilo não
nega.
Gostaria de falar um pouquinho sobre o Jacob nos próximos posts, e
pensei que esse texto era excelente para dar uma noção de como as coisas
foram para ele...


Sendo Jacob Black


Sendo Jacob Black

Aqui está um breve (há há) resumo da história até o final de Lua Nova,
se você é Jacob Black:

Então você é um garoto feliz. Você tem amigos legais, seu pai é bacana,
mesmo sendo um pouco supersticioso. Você vai bem na escola  não tem que
estudar muito. Tem bastante liberdade. Você adora todas as coisas
mecânicas.

Um dia, a filha do melhor amigo do seu pai aparece. Ela é bem bonita,
daquele tipo de beleza de vizinha, mas, mais que isso, você
instantaneamente a entende. Espíritos gêmeos. Bella se afasta de todos
os amigos da escola, parecendo totalmente interessada em tudo o que você
tem para dizer. Você imediatamente se encanta, mas sabe que ela está
fora do seu alcance. Ela está no segundo ano, você no primeiro  é, vai
sonhando. Mesmo assim, você pensa nela bastante. Quem sabe um dia, você
fica repetindo.

É claro que agora você fica muito mais interessado em tudo o que o seu
pai tem a dizer sobre o Charlie. Você fica insistindo para ele fazer as
pazes com o Charlie sobre a história dos Cullen. Na sua cabeça, Billy é
quem está errado. Você pede que ele se desculpe. Eventualmente, ele o
faz. Ele vai assistir um jogo de beisebol e, claro, você vai junto.
Alguém tem que dirigir. (Você sabe que não está enganando ninguém 
Billy entende na hora).

Você vê a Bella com um cara em um carro demais (o carro é a primeira
coisa que você vê. Foi muito bem trabalho  mas nada chocante. Você fica
impressionado). Você é seguro o suficiente em sua masculinidade pra
admitir que o cara é bem bonito. Observador como você é, consegue ver a
fagulhas entre os dois. Suspira  é, você sempre soube que ela seria
pega bem rápido. Mas relacionamentos de escola acabam logo, então você
esquece. Se pergunta quem ele é (você conhece todo mundo por aqui) e por
que o seu pai está tão esquisito.

Você tem uma chance de conversar com a Bella, e é bom de novo. É bem
confortável ficar perto dela. Você pergunta quem é o cara, e ele é um
Cullen, então é daí que veio a reação do Billy. Você passa uma noite
agradável com a Bella, exceto pelo fato de que ela parece bem distraída
e está usando um novo perfume que você detesta.

Quando chega em casa, você escuta o seu pai surtando. Ele liga para
todos os amigos supersticiosos. Você entende (ouvindo escondido do seu
quarto) que eles estão dizendo que não é da conta dele. Você concorda,
mas o Billy nem pergunta a sua opinião. Seu pai acha que esse cara é
literalmente algum tipo de mostro  dá até vergonha.

Billy vai ver o Charlie de novo, e ele ainda está chateado com a
história da Bella. Ele fica bem tenso, e você imagina (ele resmunga
quando fica agitado) que ele acha que está violando aquela trégua
antiga.  Você meio que considera mencionar que você contou as historias
para a Bella, mas você sabe que tomaria bronca, então não diz nada.

Você vê a Bella e o namorado dela outra vez. É óbvio que ele é namorado
dela  ele beija o pescoço dela antes dela entrar em casa. Billy quase
tem um derrame. Ah, certo  vampiros. Ai Deus, o velho vai humilhar
vocês dois. Você imagina porque o namorado só fica sentado lá na picape&

Você fica mais triste do que achou que ficaria. Você achava que já tinha
aceitado que a Bella tinha um namorado, mas essa prova é mais depressiva
do que você esperava. A diferença entre suspeitar de uma coisa e vê-la
por si próprio. Suspiro. Seu pai manda você procurar algo, e só depois
você percebe que ele queria ficar sozinho com a Bella. Você espera que
ele não tenha se feito de bobo.

A vida continua. Você tem algumas paixonites por algumas meninas na
escola, mas elas acabam rápido. Você ainda pensa bastante na Bella.
Queria que pudesse só passar algum tempo com ela, mas seu pai está sendo
idiota sobre a coisa do Cullen. Ele não deixa você ir visitá-la. Como se
você fosse se machucar ou algo assim. Você revira os olhos para ele
muitas vezes.

Bella foge de casa. Quando Billy conta isso, te afeta muito. Você se
preocupa com ela  isso te mantém acordado à noite. Você não tinha idéia
que ela estava tão infeliz. Você fica bravo por ter deixado o Billy te
manter longe dela. Talvez você pudesse ter ajudado de algum jeito&

Então o Charlie liga para o Billy para dizer que a Bella sofreu um
acidente terrível em Phoenix  ela atravessou uma janela e seu estado no
hospital é grave. A noticia é como uma bigorna na sua cabeça. Quando o
Billy ouve que o Dr. Cullen está lá cuidando dela, ele implora para o
Charlie pegar um avião. Eles brigam de novo. Você se oferece para ir até
lá e ver como ela está, mas o Billy desconta tudo em você. Você sai, mas
fica se lamentando nos degraus. Você o escuta ao telefone com alguém,
gritando sobre tréguas e guerras  você não consegue escutar muito bem
pela porta. Mas você escuta algo sobre os Cullen machucando a Bella, e
também sobre Sam. Imagina por que Sam Ulley faz parte dessa conversa.
Mas não fica imaginando por muito tempo. Você está preocupado demais com
a Bella.

Bella melhora e volta para casa. Você está morto de vontade de vê-la 
certamente você pode pelo menos levar algumas flores, desejos de
melhoras, algo assim. Mas Billy te proíbe de ir, e você não consegue
convencer ninguém a te emprestar um carro (todos estão do lado do
Billy). Você não acredita como essa piada de vampiro tenha ficado fora
de controle.

Então o Billy muda a estratégia. Ele quer que você vá falar com a Bella.
Mas ele quer que você vá de penetra no baile dela. Você se sente
humilhado. Mas ele te suborna, e você quer muito ver a Bella. Você vai.
Ela está tão bonita. Você passa a mensagem de dar vergonha do Billy,
mas, para o seu alivio, ela ri sobre a mensagem com você. Você vê o
jeito que ela olha para o Edward Cullen, e sabe que ela está completamente
fora do seu alcance. Mas você fica bem, porque também sabe que ela
sempre será sua amiga. Você quer que ela seja feliz, e esse cara
claramente a deixa feliz. Você se sente mal por como o seu pai tem sido
mau e errado em relação aos Cullen e você deseja que tivesse algum tato
para se desculpar. Bella está usando aquele perfume horrível outra vez.
Você se pergunta por que ela gosta dele.

Você tem um verão legal em La Push. Trabalha na garagem a maior parte do
tempo, e também algumas horas por semana na loja para alguma grana
extra, passa o tempo com Embry e Quil, sai em alguns encontros em grupo.
Uma menina fica a fim de você, mas é só amizade pra você. Billy ainda
está preocupado com a Bella, e você não pode evitar prestar atenção
especial sempre que o nome dela é mencionado. Tem uma gangue idiota
começando a se formar na cidade, e você e seus amigos tiram sarro do
bando do Sam pelas costas deles.

A escola começa de novo, e tudo está bastante normal.

Tarde da noite, Billy recebe uma ligação desesperada do Charlie. Bella
está desaparecida, perdida na floresta, ele acha. Billy promete ajudar.
Você já está à porta, mas ele diz não. Você fica nervoso, mas começa a
andar de qualquer jeito. Não chega lá até as três da manhã, e todo mundo
está indo embora. Bella está dormindo, eles lhe dizem, então você não
entra na casa. Você vê Sam, Jared e Paul lá, e isso te irrita. Sr. Weber
oferece uma carona para casa quando te vê andando. Ele é quem te conta
sobre a partida dos Cullen. As pessoas já estão fofocando sobre o
assunto. Edward deixou a Bella na floresta, foi assim que ela arranjou
confusão.

No começo, suas emoções são confusas. Você tem que admitir que fica um
pouco feliz, mas tenta reprimir esses sentimentos. São errados  a Bella
deve estar infeliz. Você torce para que ela esteja bem.

Então você começa a receber detalhes. Charlie está desesperado, e ele
liga para o Billy muitas vezes para pedir ajuda. Mas nenhuma das suas
irmãs passou por algo desse tipo, e o Billy não pode ajudar muito. Você
ouve que a Bella está acabada, talvez catatônica, sem comer ou dormir.

Você começa a odiar Edward Cullen. Como ele pôde fazer isso a alguém tão
bondoso e gentil? Que tipo de monstro ele é? Você se arrepende de um dia
ter tido vontade de pedir desculpas a ele.

Ao mesmo tempo, você fica nervoso com o povo de La Push que fica
comemorando a partida dos Cullen. Te irrita de verdade. Eles ficam
comemorando a mesma coisa que devastou a Bella.

O tempo passa, e o Charlie fica cada vez mais preocupado. Billy não te
proíbe mais de ver a Bella, mas instintivamente você sabe que ela não
quer te ver  não quer ver ninguém. Você tenta não se preocupar com ela,
é difícil quando o Billy fica resmungando sobre ela toda a hora. Ela
está parecendo um zumbi, o Charlie diz. Ela não sorri desde que o Edward
foi embora.

Meses passam. Um dia, você escuta um motor familiar rugindo do lado de
fora de casa. Você nem acredita, mas Bella foi visitar do nada. Você
fica muito feliz, até que a vê melhor. Ela está pior do que você podia
ter imaginado. Ela perdeu muito peso e os círculos embaixo dos olhos
dela estão pretos. O cabelo parece mais escuro e o rosto está branco
demais. Parece que ela ia se partir em duas a qualquer minuto. Mas então
ela olha para você, e ela sorri, sorri de verdade. Ela está feliz em te
ver. É uma coisa pequena, mas quer dizer tudo para você.

Você presta atenção em tudo o que ela fala e faz, mas nunca de um jeito
que ela nota. Você compara o jeito que está se comporta com tudo o que
você ouviu do Charlie. Ela conta para você das bicicletas, e você se
anima. Isso é algo em que você é realmente bom, e adoraria se mostrar um
pouco. Ela parece perfeitamente confortável, e você se sente do mesmo
jeito. É como se ela tivesse passado todos os dias do ano passado com
você  nem dá para perceber que faz meses que você não a vê. Vocês se
dão bem juntos, como sempre se deram. Espíritos gêmeos.

Você começa a perceber pelos próximos dias que tem algo mais em que você
é bom além de carros: você consegue deixar a Bella feliz. Não do jeito
que ela era antes, mas muito melhor do que ela esteve. Charlie e Billy
ficam no telefone o dia todo, e você fica orgulhoso em saber que a está
ajudando. Você a observa ficar melhor e melhor  sorrindo e rindo mais,
ficando animada com os planos de vocês  e você fica grato do fundo do
coração que pode fazer isso por ela.

Mas ela ainda não voltou ao normal, e você vai levando as coisas
devagar. Ela parece estar se reinventando, e você dá espaço para que ela
faça isso, só a acompanhando e seguindo o que ela propõe.

As coisas com a Bella vão bem, mas se não fosse por ela, sua vida seria
uma droga. Embry se juntou ao culto doido do Sam, e você fica com medo
por ele e furioso com ele ao mesmo tempo. Ele não fala com você. Você e
Quil tentam entender o que está acontecendo, mas nada faz sentido. Billy
é tão irritante com a coisa toda e fica te olhando de um jeito
engraçado. Te deixa ansioso. Você conta isso para a Bella, também, e ela
te deixa melhor por levar a sério. Ela te abraça e seu coração quase
explode.

É claro que você percebe que está se apaixonando por ela. Você também
sabe que ela ainda não está pronta, e não pensa em você desse jeito. Mas
você sabe ser paciente, e mantém os dedos cruzados de que um dia ela te
olhe de modo diferente. Você fica feliz por ser tão alto, por não
parecer ter dezesseis anos. Você está começando a ter músculos, mesmo
sem levantar todo o peso como o Quil sempre faz, e isso te deixa feliz
também. Ela disse que você era meio bonito&

Ela sai com você e os amigos da escola, mas os planos dão errado e é só
você, Bella e Mike Newton. É fácil perceber a tensão. Você está se
sentindo bem enquanto observa  ela não gosta desse garoto. Ela não fica
a vontade com ele do jeito que fica com você. Ela quase nem fala com
ele. Você gosta do filme que qualquer outro que você já assistiu. Ela
gosta mais de você. É óbvio.

Ele passa mal. Você espera por ele com a Bella, e está se sentindo muito
esquisito. É estranho  você se sente poderoso, cheio de confiança. Está
voando, e fica chocado com as coisas que diz a ela. Tudo só acaba
saindo. Ela admite que você é o favorito dela, mas ela claramente ainda
está de luto pelo idiota que a magoou. Por meio segundo fica cheio de
raiva de que alguém pudesse machucá-la tanto. Você queria matá-lo. Fica
surpreso com essa emoção e rapidamente o reprime.

Você leva a Bella para casa, e está cheio de esperança. As coisas vão
dar certo. Você é o único que a deixa feliz. Ela precisa de você. Você
vai fazer tudo o que puder para continuar a fazendo feliz. Você promete
isso a ela. Está se sentindo ótimo. Só mais um pouco de tempo&

Você vai para casa e o Billy fica te olhando daquele jeito irritante.
Está se sentindo irritado, como se houvesse agulhas espetando toda a sua
pele. O quarto está quente de mais  Bella disse que você estava com
febre. Você mal consegue ficar em pé.

Billy diz que você está esquisito, de um jeito todo crítico, e uma raiva
insana te invade. Dessa vez, você não consegue pará-la. Você se sente
girando, fora de controle, um ódio tão profundo que faz todo o seu corpo
tremer. Parte de você sabe que sua reação é estúpida, mas a maior parte
está possuída pela fúria. Tudo fica quente, como se o quarto estivesse
pegando fogo. Você consegue sentir o calor dentro dos seus ossos.

E então, para seu horror e choque, a tremedeira fica pior e você sente
seu corpo se despedaçar. Fica aterrorizado. Só leva um segundo, mas é
segundo mais longo da sua vida. Você se sente explodindo e pensa que
está morrendo.

Mas o seu corpo se recupera antes disso  você não se parte em pedaços.
Está numa nova forma que não compreende. Sua cabeça está batendo no
teto, e você está olhando para o Billy de alguma grande distancia. A
tremedeira parou, mas o ódio ainda está lá. Tudo está quente e vermelho.
Você tenta gritar com o Billy, fazê-lo explicar, mas tudo o que sai é um
uivo horrendo. Você dá um passo na direção dele, e o quarto balança.
Seus lábios estão por cima dos dentes e você pode ouvir os rosnados e
que sacudir o Billy e exigir saber o que ele fez com você. Você se
estica para ele, e essa pata enorme, com garras se move ao invés da sua
mão. Você olha para baixo e um urro de terror sai por seus dentes.

Billy fala como você como se você fosse uma criança, devagar e
tranqüilizador, dizendo para ficar calma, que tudo ficará bem. Mas ele
não explica o que aconteceu  o que você é. Te deixa com raiva de novo o
fato dele não parecer surpreso. Ele estava esperando isso? Por que ele
não te avisou?

Billy vai até o telefone e liga para alguém. Assim que você ouve o nome
do Sam, surta. Sam sabe disso. Rosnados horríveis enchem a casa. Billy
parece assustado e você está bem na cara dele, seus maxilares querendo
morder. Você se joga para trás, e escuta o uivo assustado de novo.

É então que começa a escutar vozes na sua cabeça. Mas são muito mais que
vozes. Por trás das palavras, você pode ver imagens e sentir o que
sentem. Dentro de segundos, você entende. Você vê a palavra por trás das
outras palavras, a resposta para a sua pergunta. Lobisomem. Voe é um
mostro.

Embry é o que mais ajuda. Você reconhece a voz dele mesmo que não tenha
som. Você vê como ele está aliviado de que você está com ele agora. Sam
deixa que ele explique, deixa que ele te tire da casa (Billy te ajuda a
sair da casa  seus ombros mal conseguem atravessar a porta). Na
floresta atrás da sua casa, você vê os outros pela primeira vez. Eles
são enormes e terríveis. Você está apavorado de saber que é como eles.

A noite é longa. Eles te mostram tudo. Todas as hitórias e as lendas que
você escutou durante a vida toda na verdade são fatos. É como chegar em
Oz, tudo ganhando cor, exceto que esse novo mundo não é um lugar bonito
e cheio de munchkins. Você está dentro de um filme de terror. Você é um
dos monstros. Eles te mostram porque isso aconteceu, e essa é a pior
parte. Porque os vampiros são reais também. E é culpa deles que você
virou essa coisa. Mais que isso, não só os vampiros sanguessugas
literalmente existem como a sua amiga, a garota que você ama, ainda é
apaixonada por um deles. Primeiro você não acredita que ela saiba da
verdade, mas eles te convencem que ela é completamente consciente. Te
deixa enjoado agora, lembrar como ela ainda fica de luto por ele.

Você é um monstro também, mas não um dos ruins. Você é o tipo que existe
para proteger sua família dos ruins de verdade. Não que isso sirva de
consolo. Especialmente quando eles dizem que ser um protetor lendário
você não pode mais ficar perto de gente normal. Você é perigoso demais
por enquanto. Em seis meses, um ano, quem sabe. Você tem que continuar
indo a escola para manter o segredo, mas nada de outros riscos
desnecessários. Na escola, você deve concentrar todo a sua energia em
ficar calma. Esquecer as aulas. Só não mate ninguém.

E a Bella está totalmente fora de questão. Quando você reclama, vê as
memórias do Sam. É como se você estivesse lá. Você o vê implorando para
a Emily. Você ouve a resposta que enche o Sam de uma fúria irracional 
a fúria que é a marca e a maldição dos lobos. Você o sente explodir, a
mão na direção dela. Você vê as garras rasgarem o rosto dela. Você a vê
atingir o chão, inconsciente. Você sente o terror dele, o pânico. É tão
forte que ele não consegue se transformar de volta para ajudá-la. Você
acha que a está vendo morrer (mesmo sabendo que ela sobreviveu, te deixa
acabado  você vomita com a dor da memória). Você vê o Jared e o Paul
correr para trazer a Sue Clearwater (uma enfermeira  a melhor
alternativa disponível quando o pessoal do hospital é vampiro). Sue
cuida da Emily enquanto o Sam se contorce de agonia na floreta, se
escondendo, ainda incapaz de se acalmar o bastante para voltar&

E você sabe que eles estão certos, você não pode mais ver a Bella. Sua
promessa vai se quebrar. Você vai magoá-la, assim como o outro mostro
fez.

Vendo as memórias do Sam acabarem, você vê como se transformar de volta.
Se acalma do jeito que ele fez, e se sente tremer e voltar a forma
verdadeira. Pelado e enjoado, você se curva no escuro e chora como nunca
chorou na vida.

Os outros ficam surpresos. Levou dias ou até semanas até que o resto
deles conseguisse se transformar de volta.

Sua nova vida começa tensa. Não só os vampiros são reais, como eles
ainda estão aqui. Novos, não os Cullen. Estão caçando na área, e é seu
trabalho pará-los. Essa parte você consegue. Todo o ódio pelo o que
Edward e o resto dos Cullen fizeram a Bella é canalizado às caçadas para
esse par, o macho de cabelo escuro com a companheira ruiva.

Quando você consegue pegar o macho, é quase tarde demais. Você segue o
cheiro do vampiro cuidadosamente, tentando surpreendê-lo. Jared vai à
frente porque os olhos dele são como binóculos  conseguem enxergar por
quilômetros. O vampiro pára em uma clareira pequena, e Jared o vê
conversando com a Bella. Você se apressa, mas o Sam hesita. Vocês estão
fora das terras da trégua. Esse é um dos amigos dos Cullen? Ele quebrou
a trégua ao matar as pessoas, mas vocês não podem provar  não
testemunharam. Sam não quer começar uma guerra sem ter certeza das
conseqüências. Você acha que ele ficou cuidadoso demais. Discute, e
quando fica claro que esse Laurent quer machucar a Bella, Sam
rapidamente fica do seu lado.

Matar Laurent é mais fácil do que todos vocês esperavam. É porque eram
cinco contra um? Você sabe que esse não é o caso. Você e Sam fizeram a
maior parte do trabalho, e você sente que você conseguiria ter feito
tudo sozinho. Talvez os vampiros não são tão durões como as histórias
fizeram todos vocês acreditarem.

A imagem do rosto amedrontado da Bella da clareira sempre está atrás dos
seus olhos. Ela estava apavorada  mais horrorizada com a sua nova cara
do que estava com o vampiro caçador e de olhos vermelhos. Você se
pergunta constantemente como ela explicou para si mesma o que viu.

A caçada continua e a vampira ruiva prova se muito mais esquiva. O bando
não entende os motivos dela, então é difícil adivinhar seus movimentos.
E ela é muito boa em fugir.

Ter um vampiro por perto te deixa nervoso. Todos eles parecem chegar
perto da Bella no fim. Você corre pela casa dela à noite, para ter
certeza que ela está segura.

A vida normal virou um dever. Mas os outros ficam impressionados com o
seu controle, e durante aquelas poucas semanas atrás do vampiro de
cabelo preto, eles ficam cada vez mais abobados. Você é melhor em
controlar suas crises (como você as chama) do que qualquer um deles.
Demorou meio ano para o Sam chegar no ponto que você chegou em duas
semanas. Você já é melhor que o Embry, Jared e Paul. Mas isso não te
deixa mais feliz. Por que alguém gostaria de ser melhor em ser um
lobisomem?

Assim, você começa a pensar que seria capaz de ver a Bella. Você tem
certeza, agora que sabe o que esperar, que pode se controlar perto dela.
E ela liga o tempo todo. Os monstros na floresta deviam sem dúvida tê-la
traumatizado. Ela precisa de você. E isso fica na sua cabeça a maior
parte do tempo. Sam te castiga  ninguém sabe melhor que ele como é
cometer um erro.

Você não pode nem conversar por ela pelo telefone. Todos os lobos e os
anciãos ficam perturbados com as suas memórias  todos foram tão
cuidadosos com a trégua, e você a quebrou, mesmo sem saber. Pelo menos
os vampiros que concordaram com a trégua foram embora, então isso não
significa uma guerra. E a Bella não pareceu acreditar um mais que uma
história& Mas o Sam te dá uma ordem: você não pode contar a verdade para
Bella. E ele diz isso na forma de lobo, e você pode sentir a autoridade
pelos pensamentos. Ele é o lobo alfa, e você não pode desobedecer.

Mas a Bella é persistente, e você não fica surpreso quando ela monta
guarda do lado de fora da sua casa. Você convence os outros que pode
lidar com uma conversa, que tem que ser feita uma hora ou outra. Sam
concorda  ele não está disposto a mandar muito em sua forma alfa, com
você menos que o resto (mas essa história é para outra hora). Ele te
previne para ficar calmo, e insiste que você diga o que for preciso para
mantê-la longe. Ele está pensando na Emily, e como você pode discordar
disso?

É mais difícil do que você achou que seria. Você observa o rosto da
Bella quando quebra a promessa, e é como se alguém estivesse de
esfaqueando. Você é tão mau quanto o vampiro que a despedaçou. É como se
você estivesse tirando toda a sua esperança e felicidade, e a dela
também, e esmagando com suas próprias mãos. Algumas vezes a raiva é mais
forte  você começa a se esquentar, mas consegue controlar. O mais perto
que chega de perder o controle é quando ela defende os vampiros. Como
ela pode pensar bem deles, especialmente agora, depois de tudo o que
eles fizeram para ela? Como se só ser vampiro não bastasse.

E então ela começa a colocar a culpa nela mesma  ela pensa que fez algo
de errado, e é por isso que você está fazendo isso. Ela quase te
implora. Você se odeia de verdade por estar fazendo isso com ela. Você
foge, se transformando assim que você fica fora de vista para que não
chore como fez antes.

É uma longa tarde. Você fica cansado do Embry tentando te consolar,
cansado da aprovação do Sam pelo que você fez. Você se pergunta
amargamente se não marcou a Bella tão profundamente quanto o Sam marcou
a Emily. Você volta para sua forma humana para escapar deles, e pensa a
noite toda. Você sai de casa para se afastar do Billy, que é tão
irritante quanto os outros.

Você percebe que mesmo o Sam tendo te proibido de explicar as coisas
para a Bella, tecnicamente, ele não te proibiu de vê-la. Você sabe que
isso vai ser complicado, mas não agüenta que ela fique imaginando que
não quer ser amigo dela. Você tem que se desculpar, arranjar um jeito.

Você vai de moto e a esconde em outra rua. Entra no quarto dela, e se
surpreende em ver como ela está brava. E outra, ela está horrível 
quase tão ruim como da primeira vez que você a viu. Os olhos estão
vermelhos e o rosto molhado. Você se odeia de novo, ao ver isso. Tenta
explicar, mas as ordens do Sam ficam atrapalhando.

Você tenta pelo menos deixar claro o quão importante ela é e que essa
separação não é culpa sua. Enquanto você fala com ela, primeiro acha que
estava errado em querer vir para cá. Não está deixando as coisas
melhores. Elas não podem ser melhores, enquanto ela não entender. Se ela
somente acreditasse em todas as histórias daquele primeiro dia&

Você percebe que ela já sabe o que você quer que ela saiba. Você tenta
fazer com que ela se lembre, que junte as peças, mas ela está quase
dormindo e confusa. Você fica mais esperançoso, mas também mais tenso.
Ela vai se lembrar? Ela vai entender? Se sim, o que ela vai pensar? Ela
vai ficar assustada e enojada? A idéia de que ela talvez se sinta assim
te deixa nervoso. Ela foi capaz de aceitar um vampiro & Isso te dá nojo.

Assim que você se transforma de novo, Sam e os outros ficarão sabendo de
tudo sobre essa brecha. Você espera que possa manter a noticia longe
deles até que a Bella entenda as coisas. Volta de moto para casa, e
promete que vai se manter calmo, custe o que custar.

Quando você acorda de manhã, Billy diz que a Bella passou na sua casa, e
que ela está esperando por você na praia. Você fica animado e receio.
Ela devia ter juntado as peças. Ela não ligou. Ela já tinha aceitado o
que você era?

Então você chega à praia e vê a cara dela. Ela está assustada e
chateada. Você consegue ver na expressão dela que ela não fica contente
com essa sua nova vida. Isso te deixa furioso. Você tem que concentrar
todas a sua energia para permanecer humano. Você a acusa de ser
hipócrita, e então sente um alivio incrível quando o desentendimento é
esclarecido. Incomoda saber como ela protege seus vampiros, mas pelo
menos a aceitação dela se aplica a você também. Outra vez, você se sente
esperançoso. Talvez vocês possam passar por cima de toda essa bagunça e
ficar juntos de novo.

É um alivio imenso poder conversar abertamente com ela outra vez. Você
fica surpreso que ela sabe mais sobre os vampiros fora de Forks do que o
bando, e horrorizado que a ruiva estava atrás da Bella o tempo todo.
Você fica ansioso para falar com os outros; você quer um plano em ação
para proteger a Bella. Você fica muito irritado, sabendo que existe
alguém que quer machucá-la. Pela primeira vez, você fica feliz em ser um
lobisomem. É horrível, mas, ao mesmo tempo, você pode proteger a Bella.
Parece que de repente, vale a pena.

Você chama o bando todo. Enquanto você está confiante que pode se
controlar perto da Bella, você esquecer de considerar os outros. Paul
reage pior que você esperava. Você tem que se transformar bem na frente
da Bella para protegê-la, e não tem uma chance de ver a reação dela.
Você tem que tirar o Paul de perto dela. Para a sua sorte, você está
ficando maior e mais forte a cada dia que passa. Não é difícil empurrar
o Paul até a floresta. Sam junta-se a vocês rapidamente, e ordena que o
Paul se acalme. Você explica para eles sobre a ruiva e Bella  não
demora muito, falando através dos pensamentos como vocês fazem. Embora o
Sam admita que essa informação é importante e útil, ele de dá um sermão.
Ele diz que você colocou a Bella em perigo hoje, e então ele dá um
sermão no Paul, por ser o perigo. Finalmente, ele te lembra que ele
entende, e vocês três voltam a ficar bem. Melhor que antes, você
percebe. Você acha fácil fazer parte da situação, agora que ela ajuda a
Bella.

É estranho como as coisas voltam ao normal, enquanto ao mesmo tempo,
tudo é diferente e perigoso. Bella é a peça chave que te ajuda a
balancear tudo. Você dorme algumas horas por noite, mas a maior parte do
tempo está correndo pela floresta com o Sam ou o Embry, procurando algum
sinal de que a vampira ruiva tenha voltado. Quando não é seu turno, você
passa o máximo de tempo que pode com a Bella. Há um novo nível de
intimidade à amizade de vocês. Vocês sabem todos os segredos um do
outro, e isso faz mais diferença do que achou que faria. Você fica
impressionado com o quanto ela não podia falar, como ela esteve sozinha
durante o tempo que ficou quebrada. Ainda te deixa perturbado em ver o
quanto ela está de luto pelos Cullen. Você não consegue ver a diferença
entre os Cullen e a vampira que está atrás dela, mas ela consegue. Ela
obviamente tem medo daquela vampira. Você tenta confortá-la. E fica
feliz que ela não tem mais que ficar sozinha com isso.

Você se preocupa com a Bella ficar sozinha quando você está de patrulha.
Você não fica feliz quando os seus planos de levá-la para se divertir 
quebrar a ansiedade constante  são interrompidos pela Victoria. Ela faz
uma tentativa capenga de cruzar para o seu território. Você acha muito
suspeito, e quando ela entra na água, você se preocupa que ela tenha
outro plano. Você, Jared e Embry correm pela costa, procurando algum
sinal de que ela tenha tentado pisar em terra firme. Você volta para La
Push sem cruzar com o cheiro dela. Embry continua com o Jared, mas você
quer ver a Bella. Só para ter certeza que a ruiva não passou a perna em
vocês.

Bella não está na praia, nem a ruiva, nem ninguém. Você continua até as
árvores, mas a tempestade está tão forte que ninguém está por perto para
te ver. A picape dela não está na frente da sua casa. A primeira coisa
que você pensa é que ela voltou para casa, mas marcas de pneus recentes
levam em outra direção. Não é até que você encontra a picape abandonada
na estrada perto dos penhascos que você se lembra do que tinha prometido
no dia anterior. Pular do penhasco. No mesmo instante, você escuta o
grito da Bella, longe, desaparecendo conforme o som vai caindo.

Você corre até a beirada do penhasco em segundos. Não consegue ver nada
lá embaixo  as ondas são muito fortes, não há sinal da queda recente
dela. Você se joga, mergulhando de cabeça na água escura.

A água está bruta. Você sabe o quanto de força está usando para
conseguir nadar por ela, e sabe que a Bella não é assim tão forte.
Nenhum humano é assim tão forte para dar conta dessa correnteza.

Você procura freneticamente, seus olhos afiados passando pela água.
Finalmente, você vê algo brilhando, braço  as mãos dela lutando
inutilmente contra as ondas. Você está submerso, quase sem ar, e com um
pânico gigante. Nenhuma outra pessoa teria sido capaz de conseguir sob
as mesmas circunstancias, nem mesmo o Sam, mas você se concentra e se
força a voltar à sua forma humana. Então você pega a Bella e puxa para a
superfície.

Você queria ter trazido o kit de primeiros socorros. Tudo em que você
consegue pensar é tirar a água dos pulmões dela. Tem tanta. No começo
ela está consciente, mas depois apaga. Você não sabe o que fazer. Você a
leva de volta para a praia, esperando que consiga a ajuda desse jeito.
Os pensamentos do Jared e do Embry estavam com você durante a queda, mas
agora você está desconectado deles.

Sam chega, mas a Bella acorda antes que ele possa fazer muito mais do
que te contar da tragédia na vila. Você fica chateado em tê-lo tirado do
lugar que precisam dele. Bella parece estar bem. Você não sabe se ela
precisa de um medico, mas ela só quer descansar, então você a leva para
casa. Está exausto de tantas noites correndo, e você dorme ao lado dela.
Se sente bem lá, juntos e sem segredos entre vocês, sabendo que ela está
segura.

Billy te acorda quando chega em casa. É devastador saber que Harry se
foi. Ele era um dos melhores amigos do Billy, um tio em tantos jeitos, e
também um dos três anciãos que sabiam sobre os lobos. Não parece justo
que ele tenha morrido.

Você leva a Bella para casa, sabendo que o Charlie estará de luto
também. Pela primeira vez desde a noite em que você se transformou  a
noite daquele filme horrível  você pensa que isso talvez dê certo.
Parece certo segurá-la desse jeito. Ela sente o mesmo? Talvez não seja
tão forte quanto ela se sentia sobre o vampiro, mas deve significar que
nenhum dos dois fica completo sem o outro. Parece que é seu destino
ficar com ela.

Ela começa a se afastar. Ela não está pronta, mas você acha que ela
estará. Só mais um pouco de paciência. Você abre a porta do carro, e
esse pensamento pacífico é ameaçado.

Há um vampiro por perto. Seu primeiro palpite é a ruiva, e você imagina
que ela usou a distração da morte de Harry para se desviar. Não tem
certeza de onde ela está e se ela está observando. Você tem medo de que
ela comece a caçar, caso ela entre enquanto você a está procurando.
Decide que a melhor coisa é levar a Bella de volta a La Push, deixá-la
com o Embry e então caçar a ruiva com o Sam.

Mas algo não está certo. O cheiro é outro. Um vampiro, obviamente, mas
não é o mesmo cujo cheiro vinha vindo queimando seu nariz pelas ultimas
semanas.

Antes que você tenha alguma idéia, a Bella pede para você parar. O rosto
dela está mais brilhante desde o dia que ela foi procurar você, toda
machucada. Ela acha que os Cullen voltaram, e o carro brilhante parado
em frente à casa dela dá evidencia à teoria. O entusiasmo dela te deixa
enjoado. Você fica furioso. É difícil se acalmar.

Fica claro que você terá que levá-la a força se quiser impedi-la de
entrar na casa. Ela parece certa que são os vampiros dela . Ela já foi
embora  mentalmente, ela está a quilômetros de distancia de você. E
você te responsabilidades. O bando esteve ignorando as linhas da trégua
completamente desde que os Cullen partiram. Você não pode deixar que
seus irmãos arrumem confusão, não sabendo que os Cullen está de volta.

Você odeia ter que deixá-la, e fica bravo que é isso que ela quer. O
futuro que parecia tão esperançoso há alguns minutos se transforma em
nada. Ela nem se importa que eles foram embora? Isso não importa?
Nenhuma vez ela expressou algum tipo de ódio em relação a eles pelo que
fizeram a ela. Você imagina que ela nunca sentiu esse ódio. Ela aceita o
que eles fizeram sem nem questionar.

Você precisa ir embora, porque você não vai conseguir se segurar por
muito mais tempo. Consegue sentir a raiva crescendo. Você a deixa
sozinha na rua, desejando mais que qualquer coisa que ela te chamará,
que ela mudará de idéia. Ela não muda.

Você corre para o hospital, e então se transforma de volta. A raiva
diminuiu um pouco, e você fica preocupado com a segurança dela de novo.
Você liga e ela atende. Os Cullen voltaram, e ela escolheu os vampiros
ao invés de você.

É uma noite péssima para os lobos quileutes. Sam volta as linhas de
patrulha ao normal para que vocês só protejam alguns quilômetros da
reserva. Sam não quer deixar nenhum buraco  talvez haja meia dúzia de
vampiros por aí, e as intenções deles não são claras. Você se preocupa
com a Bella e a ruiva, mas Sam diz para deixar que os Cullen cuidem
disso eles mesmos. Você fica péssimo com a idéia da Bella pertencendo a
eles.

Os dias passam. Ninguém tenta cruzar a linha. Billy liga para o Charlie,
e parece que só um dos Cullen voltou, e ela está passando os dias com
eles. Isso te deixa assustado. Sam está preocupado  qual é a nova
medida? As linhas da trégua voltaram? Por quanto tempo? O resto deles
também vai voltar? Eles sabem sobre a ruiva? Eles consideram que ela
esteja sob a proteção da trégua também? Se sim, a trégua está desfeita.
E se eles não a pararem, o bando irá considerá-los como cúmplices. Sam,
Billy e o velho Quil discutem a possibilidade de uma guerra&

Mas o Sam quer informação primeiro  tentar manter as coisas civilizadas
pelo máximo de tempo possível  e você se oferece como voluntário.
Insiste em ir pessoalmente. Você precisa ver o rosto dela, ver o quão
envolvida ela está. Você diz ao Sam que vai ter mais informação
pessoalmente, que você saberá melhor se ela está mentindo. Você não o
engana com seus motivos, mas seus argumentos parecem inúteis.

Então você vai durante o funeral, para que consiga falar com ela
honestamente, sem arriscar que o Charlie interrompa. Jared e Embry não
querem te deixar sozinho, mesmo quando você tem certeza que a vampira
saiu. Você sabe que eles ficaram por perto, mas não quer que eles
escutem. Você quer falar com a Bella, falar de verdade, mas é o máximo
que pode fazer para ficar calmo. A casa dela fede  queima seu nariz. O
fedor de vampiro está grudado nela. Vocês estão um pouco hostis, mas ela
responde as suas perguntas. A Cullen só está visitando. Você diz a si
mesmo que as coisas voltarão ao normal quando a vampira for embora de
novo.

Você não consegue ir embora. Vê que a magoou, e volta e a encontra
chorando. Você se sente pior, e melhor. Melhor porque ela pelo menos se
importa com você o suficiente. Ela está chorando por você. Isso já é
algo.

Você consegue falar com ela, mas é difícil. Ela os ama. Os monstros que
a machucaram ama todos. Ela se importa com você também, mas não tanto.
Ainda, a vampira irá embora& Você está confuso, sem saber como se
sentir.

Você a segura em seus braços, e é como antes  como se fosse o destino.
Você pega o rosto dela nas mãos, e de repente você quer beijá-la mais do
que qualquer coisa no mundo. Não é como você planejou  a hora é péssima
com a vampira por perto. Mas depois você pensa que isso também seja o
destino. Talvez ela vai sentir isso. Você vê o conflito nos olhos dela,
e imagina que lado ela vai tomar quando os seus lábios tocarem os dela.

O telefone toca bem nessa hora inoportuna, e você atende. Que escolha
tem? Pode ser o Sam, pode haver algum problema. Você ouve o tom claro,
cantante da voz com um leve sotaque britânico, e sabe quem está ligando
na primeira palavra. Outro deles. Talvez a Bella estivesse errada sobre
o resto deles voltar também. Talvez ela estivesse mentindo.

Billa fica nervosa de novo quando o vampiro desliga na sua cara. Antes
que você possa esclarecer, sente a queimação fresca de uma vampira
próxima. Escuta o leve som da aproximação quase silenciosa da vampira.
Você tenta ir embora, mas o cheiro é mais forte na sala. Antes que você
possa sair pelos fundos, a sanguessuga está lá.

Ela é uma coisinha minúscula, mas depois do que a Bella disse sobre os
vampiros com talentos extras, você não vai abaixar a guarda. E ela nem
presta atenção em você. Ela mal parece consciente das coisas ao redor,
perturbada com algo. Bella a chama de Alice. Alice fala o nome do Edward
uma vez, e a Bella desmaia. A vampira a machucou? Você não vê nada. Mas
se inclina para pegar a Bella antes que a vampira possa tocá-la, e a
tira de perto dela.

A vampira parece bem chateada, e isso te surpreende. Você não tinha
percebido que eles tinham muitas emoções. Fica revoltado e impressionado
em como a Bella e a Alice parecem confortáveis em se tocar. Você pensou
que a vampira não seria capaz de tocar humanos sem os machucar. E a
Bella parece tão à vontade com Alice  capaz de interagir com ela como
se ela fosse humana. Bella parece vê-la desse jeito  quase como uma
pessoa.

A conversa é difícil de seguir. Você entende que o Edward Cullen está em
algum tipo de confusão, e é culpa de uma tal de Rosalie. Bella está
gritando e exigindo ajudar, e a vampirinha vai deixá-la tentar, embora
ela tenha deixado claro que é uma missão suicida.

Você segue a Bella até a cozinha, onde ela escreve um bilhete para o
Charlie. Você pede a ela que não vá. É como se você não tivesse dito
nada. Ela pede que você tome conta do pai dela.

Bella corre para fazer as malas, e você fica sozinho com a Alice. Você
se afasta o máximo que pode dela  o instinto para se transformar e
atacar é difícil de reprimir  e a acusa de estar levando a Bella para a
morte dela. Na verdade é mais fácil falar com ela do que você teria
pensado  ela reage e fala como um humano, embora a aparência dela seja
assustadoramente alienígena. Aos seus olhos afiados, ela é como um
cristal ambulante, toda angulosa e brilhante.

Alice discute por um momento, e então a Bella volta e elas se preparam
para partir. Você irá vê-la novamente? Você literalmente implora para
que ela não vá, mas a Bella vai embora depois de beijar a sua mão. Você
mal pode se segurar por meio segundo quando percebe que ela vai morrer
por aquele parasita que arruinou a vida. Pela primeira vez desde o
começo, você perde o controle de si mesmo e explode em lobo contra a sua
vontade.

A vida fica mais sombria do que foi antes. Os outros estão aliviados que
a Alice Cullen foi embora, levando a Bella ou não. Eles tentam esconder
os sentimentos de vocês, mas é claro que não há segredos em um bando de
lobos. Sam cuidadosamente estende as linhas da patrulha, e você toma um
cuidado extra para cuidar do Charlie, como a Bella te pediu.

É assim que você descobre que a ruiva está tentando pegar a Bella outra
vez. O bando circula, lentamente aproximando o perímetro, deixando-a
chegar mais perto de Forks enquanto estabelecem uma linha entre ela e
Charlie& No entanto, ela abruptamente dá meia volta e foge. Você a
persegue, mas ela é esperta e mais rápida que o vampiro de cabelo preto.
O voo rápido dela o pega desprevenido  você não deu sinal da sua
aproximação. Procurando pistas sobre o fato, Sam junta o que aconteceu.
O caminho dela cruzou com uma trilha deixada pela Alice Cullen. Isso
parece ter sido o suficiente para fazê-la entrar em pânico. Isso pelo
menos deixa claro que ela não é amiga dos Cullen.

Charlie está desesperado, naturalmente. Ele vai até La Push para te
interrogar, ver se você sabe algo que o ajude a achar a Bella. Você
queria poder dizer tudo sobre os Cullen a ele, mas não pode entregar os
próprios segredos, e que bem isso faria a ele? Nenhum de vocês pode
salvar a Bella agora.

Rumores se espalham por Forks quando a Bella volta viva. Charlie não
liga para o Billy na hora  aparentemente ele está furioso demais 
então você escuta as coisas da Leah Clearwater. Charlie ligou para
cancelar uma visita a mãe dela; ele não queria deixar a Bella sozinha,
porque ela está muito enrascada. Você fica aliviado que a Bella esteja
bem, e não se importa com mais nada no começo. Mas não demora muito até
que as notícias ruins cheguem. Dr. Cullen vai voltar para o hospital  a
família inteira voltou à cidade. Sam convoca as patrulhas de novo, mas
não tão longe como antes. Se eles voltaram para ficar, então o bando tem
que reforçar as fronteiras outra vez. Ter certeza que não há
desentendimentos quanto ao que pertence aos quileutes.

Através do Charlie, o Billy fica chateado. Edward está de volta,
aparentemente nomeado como namorado da Bella de novo, sem nenhuma
repercussão da deserção dele. Bella não vem te ver, e você fica bravo,
embora não esperasse realmente que ela viesse. Você também está bravo
por saber que o Charlie deixa a Bella namorar o Edward de novo. Ele não
devia, como pai, fazer algo sobre isso?

Você bola um plano, mas não pensa muito nele. Se deixá-la de castigo,
ela não vai poder vê-lo& Talvez, se ela ficar longe dela, ela vai poder
se livrar do feitiço qualquer que ele colocou nela e se lembrar quem ele
é, e o que ele fez.

Outra, você tem uma nova preocupação agora. Desde que a Alice voltou,
seu maior medo é que algum dos vampiros perca o controle perto da Bella
e a mate por sede. Te acorre agora, que talvez haja algo pior. Talvez
eles têm intenções piores do que usá-la para saciar o apetite. Você nem
que ter a idéia na sua cabeça, mas não pode evitar.

Talvez eles tentem fazê-la uma deles.

É a pior coisa que você pode imaginar. É pior que matá-la  roubar a
essência dela e deixá-la como uma criatura inumana de pedra, uma
zombaria da pessoa que ela foi um dia. Era como se deixasse que um
estranho tivesse o corpo dela, só que uma versão fria, deformada desse
corpo.

Você sabe que a única coisa que deixaria o Charlie nervoso, mais que
qualquer coisa (exceto pela verdade, que você não pode dizer a ele), é a
moto da Bella. Você a leva até a casa dela e diz ao Charlie que está
devolvendo, porque a Bella não vai mais para La Push. Charlie fica da
cor de uma beterraba e grita com você por quinze minutos, prometendo que
vai contar para o Billy que está acontecendo. Quando ele te deixa ir,
você se esconde na floresta ao invés de ir embora, sabendo que o
sanguessuga irá saber pelo seu cheiro que você esteve aqui. Você tem um
aviso para entregar.

Assim como você esperava, Edward Cullen chega com a Bella para te
encontrar antes que ela veja o Charlie. É muito difícil se controlar,
mas você não vai se meter numa briga com a Bella ali. Ela pode se
machucar e você não vai quebrar a trégua dessa vez. Deixe que os Cullen
sejam os malvados dessa vez.

Bella está furiosa. Você estava preparado para isso, mas ainda é ruim
vê-la magoada.

O vampiro de pega de surpresa, te agradecendo pelo que você fez pela
Bella. Você se recusa a acreditar que ele está sendo honesto. É só algum
truque. Você descobre que a habilidade de ler a mente dele é ainda piore
do que você imaginava. Ele vê tudo o que você está pensando.

Embora ele já saiba o aviso que você veio dar, você responde a pergunta
da Bella sobre a trégua. Não só eles não podem se alimentar de humanos
como se eles quiserem preservar a paz com os lobos, eles não podem criar
novos vampiros.

A reação nervosa da Bella diz muito mais que você queria saber. Até
aquele momento, você se preocupava que os Cullen estivessem pensando em
transformá-la. Você não esperava que ela soubesse desse plano. Agora
você vê que ela própria está planejando isso  que é isso que ela quer.

Você precisa se esforçar muito mais do que uma dia precisou para manter
a forma. O resto da conversa não significa nada. Bella quer ser uma
vampira. Ela não percebe que essa transformação é só outra forma de
morte  pior que qualquer outra.

Se ele transformá-la, significará guerra. Você corre para casa para
dizer aos seus irmãos. Vocês precisam se preparar&

Nem tanto ao céu, nem tanto à Terra - acertando as contas com Edward Cullen

Normalmente as pessoas analisam Twilight por trechos, capítulos, e
parecem nem perceber que a série é, em última análise, um processo.

O que eu vejo ali é um par improvável tentando construir algo
juntos e sendo pressionado o tempo todo.

Edward e Bella sempre estão sob
pressão e buscam lidar com ela sem soltar a mão um do outro. Nesse
exercício, ambos cometem erros, sim... Especialmente Edward, primeiro
fingindo que não gostava mais dela para tentar protegê-la dos riscos de
namorar um vampiro. Então ela encontra Jacob e acaba ficando dividida entre os dois... OU
melhor, como ela mesma admite, dividida entre a Bella de Edward e a
Bella de Jacob. Então ele volta
e, claro, os problemas apenas continuam. Além de ter que lidar com
todos eles, Edward vive o desespero de perceber que a pessoa que ele ama
está quase, quase gostando de outro alguém. De verdade, só quem viveu
isso na pele tem a mínima noção do que significa... E deve ser pior
ainda você perceber que tudo está acontecendo por sua culpa.

"quando eu deixei você, Bella, eu te deixei sangrando. Foi Jacob que te costurou de novo. Isso tinha chance de deixar marcas
em vocês dois. Eu não tenho certeza de que esses pontos se dissolvem sozinhos. Eu não posso te culpar por uma coisa que
eu tornei necessária. Eu posso ganhar perdão,
mas isso não me deixa escapar das consequências".

Então, nesse processo de tentar atraí-la de volta, Edward erra, sim,
como a parte que todo mundo aponta, quando ele tenta impedir Bella de
ir ao encontro de Jacob, avariando o motor do carro dela, ou quando ele
pede para Alice vigiar a namorada. Mas eu acho
muito engraçado - e parcial - ninguém se lembrar de que, depois, ele
pediu desculpas a ela por tudo isso e passou, na verdade, a levá-la
pessoalmente ao encontro de Jacob, não porque ele tivesse desistido de
Bella,
mas porque ele colocasse o direito dela de estar aonde desejava acima
do próprio ciúme.
Eu acredito que podemos sentir o amor mais perfeito do mundo, mas, sob
pressão, o erro faz parte da vitória. O que me frustra em diversos
autores de romance, é que o fato de amar
incondicionalmente e ser correspondido, faz da relação uma estrada sem
curvas nem obstáculos. Uma pessoa pode não gostar de Bella ficar
dividida entrtre Jacob e Edward, de Edward ter tentado controlá-la, de
Jacob aparecer no meio dos dois, mas é assim que a vida funciona. E,
contrariando o que muitas vezes acontece fora dos livros, os personagens
agem com o máximo de dignidade, tentando colocar o respeito pelo outro
em primeiro lugar, tentando, cada qual, tomar para si as próprias
responsabilidades, em lugar de ficarem com joguinhos de "de quem é a
culpa aqui", como muitas vezes acontece no dia-a-dia.
Um dos pontos que mais me encanta na série é que os personagens
tentam, por amor, superar seus limites... E conseguem.
Sei também que muitas pessoas criticam a intensidade do amor entre
os dois. Todavia realmente existem amores assim: inexoráveis,
inevitáveis, que não permitem alternativas.
Normalmente esses relacionamentos, de tão intensos, podem ter
episódios de desequilíbrio, entretanto, *se o sen timento é verdadeiro*,
o par é capaz de perceber as falhas e buscar outras saídas. É o
que eles fazem o tempo todo.
Então, eu não nego a maior parte das críticas que fazem a Edward
Cullen, do mesmo modo que concordo com a maior parte das feitas a Bella.
O que nunca vi ser elencado, porém, é que tudo isso faz parte de um
processo, como se uma pessoa julgasse um poema inteiro por uma rasura
que o autor precisou fazer, para ajeitar uma estrofe.
Twilight não é a história de um vampiro obsessivo, controlador e
manipulador apaixonado por uma menininha mimada, insegura, desastrada e
dramática; é o processo desses dois indivíduos. E quem ler com atenção
não poderá negar que, além de superarem os obstáculos infrigidos pela
trama, eles também superam a si mesmos... O que é o ponto auto da obra
para mim, o que me faz engolir a literatura de qualidade amplamente
discutível.,
Uma boa história salva um livro ruim, do mesmo modo que qualidade
literária não transforma um enredo fraquíssimo.
Na minha cabeça, então, Edward Cullen não é nem santo, nem
psicopata; é apenas um ser humano tentando ser melhor por amor. Idem
para Bella.
Também acredito que o ponto auto dele não é o romantismo, mas como ele
lida com as próprias limitações, mas isso já é assunto para outro post.

Eles morrem de rir e eu morro de pena

Vira e mexe os que não apreciam Twilight comentam a comicidade das
comunidades do Orkut feitas por fãs de Edward Cullen. A coisa é mesmo
digna de ser notada. Essas comunidades multiplicam-se quase que
milagrosamente pela rede social, com jovens desesperadas e deprimidas
porque não existem homens como Edward Cullen. Elas declaram seu amor ao
protagonista de Twilight, e o fato de ele não ser real, não contribui em
nada para o fim da alucinação.
Edward Cullen passou a ser, assim, o ideal romântico de quase toda
uma geração, porque creem fervorosamente que seu romantismo é, sim,
matéria de exceção... E não é.
Agora, vamos pensar: somos parte de uma geração que foi incentivada a
adotar os relacionamentos rápidos
como forma predominante e até preferencial para relacionamentos
românticos . Os
envolvimentos são explosivos e de curta duração, sem nenhum espaço
para a observação, para a aproximação gradativa, para a expectativa do
primeiro beijo, para a intimidade física conquistada passo a passo. A
ordem agora é beijar, e beijar muito, como se a felicidade estivesse na
quantidade, não na qualidade das vivências; como se um beijo não
fosse tão importante assim em si mesmo, como se relacionar-se
romanticamente fosse mais ou menos como trocar de roupa ou usar um sapato
cobiçado pelas demais. Superar desafios juntos, crescer juntos, confiar
irrestritamente no outro? Esqueça, afinal, "quem quer sofrer"?
Então vem tia Steph e coloca dois personagens adolescentes - sim,
porque, em muitos aspectos, Edward não passa disso - e narra, tim tim
por tim tim, todas as etapas de um processo quase esquecido pela grande
maioria.
Primeiro eles se olham. Depois, surpreendentemente, ele puxa
conversa com ela... E começa todo aquele clima de "ai, meu Deus, estou
apaixonado / será que vou ser correspondido?"; depois eles começam a
namorar; então eles se beijam. A intimidade física é uma conquista
paulatina ali, também, bem como a intimidade emocional.
Me perdoem as fãs entusiasmadas, mas tudo que tia Steph descreve é,
mais ou menos, parte de amar e ser amado, de quem vivencia a paixão e a
ternura a dois de forma aprofundada.
E sabe o que dá vontade de chorar? Todos temos o direito de viver
algo assim. O problema é que, em boa parte dos casos, moças e rapazes
vivem tudo rápido demais.
Quando eu vejo garotas histéricas, derretidas por Edward Cullen,
fico com uma esperança doce de que elas passem a ter expectativas mais
delicadas, mais respeitosas consigo mesmas, em lugar de adotarem a
prática de passar de mão em mão a qual são quase empurradas, em algumas
ocasiões.
Suspirar por ser a única de alguém, suspirar por encontrar uma
pessoa que as ache especiais, mesmo elas sendo comuns, suspirar por
alguém que lhes devote fidelidade irrestrita e atenção concentrada não é
tolice nem fanatismo; é demasiadamente humano, parte da adolescência e
algo extremamente saldável, em termos de ideal de vida.
Claro que há quem suspire por outros quesitos - beleza, dinheiro...
- Mas aí já é assunto para outro post.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Finalmente, um chute no determinismo

Das escolas literárias, o Naturalismo é a que menos me agrada. Isso
porquê, a nortear todas as suas obras, dentre outras teorias, está o
Determinismo. O resumo da missa é simples: o homem é moldado pelo meio.
O livre-arbítrio nada pode contra ele. O homem é o que é, e está fadado
a permanecer no mesmo patamar, isto, claro, se não cair em uma aspiral
descendente instigada pelos que estão em seu derredor.
As duas obras mais significativas da escola no Brasil são "O Ateneu" e "O
Cortiço". Achei ambas leituras muito tristes. Compreendo que a vida seja
regada de sacrifícios vários e que tanto o meio quanto o ser em si sejam
barreiras difíceis de romper. Entretanto acredito no amor e na força de
vontade.
Do pó às estrelas, rezava o Talmud; "Vós sois deuses", cantava o
Mestre de Nazaré.
De qualquer modo, esta escola penetrou em todos os gêneros
literários, mesmo na fantasia e no terror. Dentre as obras de peso
escritas sob esse sopro, duas fizeram um sucesso que perdura até os dias
de hoje.
Na primeira, "FRANKENSTEIN", de
Mary Shelley, um gênio "brinca de Deus" e faz, com suas próprias mãos,
outro ser, que embora se pretendesse humano, era um monstro, no final de
contas. Sua aparência era aterrorizante e hedionda.
Frankenstein passa, assim, a maior parte do livro em busca de
amor e aceitação e é rechaçado até que se torna um assassino. E nessa
esteira o livro conduz, criador e criatura, de desgraça em desgraça, de
sofrimento em sofrimento, até a morte de ambos, trazendo consigo uma
esteira de assassinatos e de misérias morais. Frankenstein tenta fugir
à sina de monstro e vingador e falha redondamente, por não contar com
sequer uma chance de amar e ser amado.

Então temos Gaston Leroux e seu merecidamente consagrado "O fantasma
da Ópera". Eric não foi forjado por mãos humanas, mas por algum motivo
tinha aparência tão terrível, que nem mesmo sua mãe suportou olhá-lo.
Seus talentos lhe renderam lugar em um circo, mas não uma admiração
legítima. Assim foi que, após diversas peripécias, ele esconde-se no
subsolo da ópera de Paris e, de feio e fantasmal, converte-se em anjo
para sua amada, a cantora lírica Christine Daaé. Tudo vai muito bem, até
que ela reencontra um amigo de infância e Eric faz de tudo para
conservá-la... E a perde. Não discuto aqui os méritos e deméritos de
Eric e Raoul; apenas friso que, se ele soubesse da existência do
Determinismo e da história do seu símile literário, o Frankenstein, não
teria ousado esperar ser correspondido pela sua bem-amada.
Ambos constituem uma leitura comovente e marcante, mas também
extremamente melancólica. Pessoalmente, marcou-me muito as lamúrias de
Frankenstein sobre sua solidão e falta de oportunidade de amar e ser
amado, apesar de sua aparência.
É comovente, por exemplo, a passagem em que ele e seu criador se
encontram e ele praticamente lhe implora afeto e dignidade, sendo
rechaçado irrevogavelmente.

— Que posso fazer para abrandá-lo? Não haverá súplica capaz de modificar sua atitude para com sua criatura que lhe
implora bondade e compaixão? Creia-me,
Frankenstein, eu era bondoso. Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente só, como
agora. Se você, que é meu criador, me
renega, que posso esperar de seus semelhantes, que nada me devem? Deles só tenho recebido o escárnio e a
repulsa."
No mesmo tom, Eric esbraveja:

"Você está chorando? Tem medo de mim? No fundo, entretanto, eu não sou mau! Ame-me e verá!
Só me faltou ser amado para ser bom! Se você me amasse, eu seria doce como um cordeiro e você faria de mim o que
quisesse."
E Nelson Mandella conclui:
"As pessoas não são amadas porque são boas; elas são boas porque são
amadas".
Eu sempre maldizia a influência determinista que impediu os autores
de darem uma chance aos seus personagens destinados ao mal e à solidão,
a amar sem serem amados.
Então, apesar das múltiplas falhas, tia Steph me fez esse imenso
favor: deu um chute no determinismo e deu aos seus personagens uma
chance de serem felizes e de superarem a si mesmos. Fez vampiros que
constrangem sua cede assassina ao respeito pela vida humana
conquistando, assim, mais humanidade para eles próprios; fez Bella que,
apesar de todas as limitações permite Edward mostrar a que veio não só
uma, mas duas vezes.


Eu me comovo sempre que leio o instante em que Bella e Edward se
encontram, na cerimônia de casamento. Minha imaginação literária vê, no
seu triunfo, uma libertação na literatura fantástica, um rompimento com
o Determinismo que, não obstante exista, de fato, não é de modo nenhum
regra... Graças a Deus!

Eu flutuei nas escadas junto com as fragrâncias
das milhares de flores. Eu me concentrei na idéia de Edward me esperando lá embaixo pra fazer
os meus pés se moverem. A música era familiar, uma marcha tradicional de Wagner cercada por um monte de embelezamentos.
"É a minha vez", Alice chiou. "Conte até
cinco e me siga. Ela começou a descer as escadas lenta e graciosamente. Eu devia ter me dado conta que ter Alice como minha
única dama de honra era um erro. Eu ia
parecer muito mais descoordenada andando atrás dela. Um súbito ruído de juntou à música. Eu reconheci a minha deixa. "Não
me deixe cair, pai", eu sussurrei. Charlie
pôs a minha mão em seu braço e a apertou com força. Um passo de cada vez, eu disse a mim mesma enquanto começava a descer
ao lento som da marcha. Eu não ergui meus
olhos até que os meus pés estavam seguros no chão, apesar de conseguir ouvir os murmúrios e ruídos da platéia enquanto eu
aparecia. O sangue subiu pro meu rosto
por causa do som; é claro que já se esperava que eu fosse uma noiva corada. Assim que os meus pés tinham vencido as escadas
traiçoeiras, eu estava procurando por
ele. Por um breve segundo, eu fiquei distraída com a profusão de botões de flores brancas que pendiam de guirlandas em qualquer
parte da sala que não estivesse viva,
caindo em longas filas de leves laços brancos. Mas eu separei meus olhos dos arcos das portas e procurei pelas fileiras
de cadeiras cobertas de cetim ­ ficando ainda
mais vermelha quando vi a multidão de rostos olhando pra mim ­ até que eu finalmente o encontrei, de pé perto de um vaso
com mais flores ainda, e mais laços. Eu
mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e do pai de Angela atrás deles dois. Eu não vi minha mãe de onde ela
devia estar sentada na primeira fileira,
nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados ­ eles teriam que esperar até mais tarde. Tudo o que eu realmente
via era o rosto de Edward; ele encheu minha
visão e dominou minha mente. Os olhos dele estavam claros, ouro em chamas; seu rosto perfeito estava quase parecendo severo
com a profundidade de suas emoções. E
aí, quando ele encontrou meu olhar abismado, ele se quebrou em um sorriso feliz de tirar o fôlego. De repente, a única coisa
me impedindo de correr pelo corredor
era a mão de Charlie apertando a minha. A marcha era lenta demais enquanto eu tentava fazer meus pés acompanharem o ritmo.
Por sorte, o corredor era bem curto. E
finalmente, finalmente, eu estava lá. Edward estendeu sua mão. Charlie pegou minha mão e, num símbolo tão velho quanto o
mundo, colocou-a sobre a mão de Edward.
Eu toquei o frio milagre de sua pele, e eu estava em casa. Nossos votos foram simples, palavras tradicionais que já foram
ditas milhões de vezes, apesar de nunca
por um casal como nós.

Vamos comparar margarina com lentes de contato

Ninguém pretende que Twilight seja a "fina flor" da literatura
mundial. O livro se propõe a ser apenas uma obra de entretenimento
juvenil e, nisso, cumpre seu papel.
Claro, claro, não agrada a todos indistintamente, mas, no final de
contas, o que agrada? Então, é hora de aceitar esse fato.
Vejo alguns vendo diamante em missanguinha, colocando a obra lá nas
alturas - só Deus sabe de onde; outros, por sua vez, esperneiam como
desesperados, porque o enredo é ruim, porque o inglês da autora é
discutível e, o que para mim é ainda mais curioso, porque tal e qual
obra é melhor.
Já vi gente revoltada porque Harry Potter é melhor que Twilight, e
até mesmo gente fazendo paralelos entre Edward e o Fantasma da Ópera,
Raoul e Jacob Black.
NO meu entender, isso é tão produtivo quanto comparar pirulito a
pilhas Everest, margarina com botões de pressão e alicates de unha com
Bactrim F. Não tem nada a ver. AHn, certo, tem: são livros e fizeram
sucesso. Mas só.
Pessoalmente, considero-me tripolêmica em muitos pontos, mas em
questões literárias, sou excepcionalmente cordial: gosto de me definir
como "devoradora de livros", e penso que a alcunha seja justa para quem
lê, pelo menos, um por semana. Nessa toada, além de ter lido Crepúsculo,
li todos de Harry Potter (mais de uma vez cada), todos de Tolkien, mais
toda coleção do Benítez, sem falar em Gaston Leroux, "A menina que
roubava livros", livros espíritas e espiritualistas aos montes,
evangélicos, literários e de "bancas de jornal". Cada estilo serve a um
propósito que é cumprido mais ou menos bem. Entretanto, acho perigosa a
tendência de comparar uns aos outros com a justificativa de que fizeram
ou não sucesso.
Quanto a Twilight ter emplacado diante de obras superiores que
sequer têm visibilidade, não é culpa da Stephanie Meyer, mas da
sociedade em que vivemos.
Com efeito, se você quiser produzir arte de qualidade, tem todo o
direito e, em certos casos, até o dever. Mas não espere a aprovação da
maioria. Quem quer investir na excelência, deve se acostumar ao
reconhecimento de uma minoria, isso se tiver bastante sorte. A maioria
regularmente não pensa e muitas vezes é medíocre.
Se eu acho isso justo? Claro que não. Mas aqui não estamos falando
de justiça, mas da realidade.
Eu estava muito envolvida com fãs de Harry Potter. Vivi praticamente
todas as fases de espera e júbilo por cada livro e filme intensamente, e
eu garanto que, na época, as coisas eram bem diferentes. Hoje Harry
Potter é um clássico da Literatura infanto-juvenil; no passado
não foi exatamente assim: J. K. Rowling foi acusada de transmitir às crianças valores
odientos - para vocês terem uma idéia, teve gente acusando-a de
pró-aborto por causa do formato das raízes das mandragoras no livro "a
câmara secreta"! E as pessoas diziam: Harry Potter não é fantasia!
Tolkien... Aquilo sim é que é autor... Do mesmo modo que hoje dizem:
Meyer é horrível! Rowling, aquela sim é que sabia escrever.
Quanto aos vampiros descaracterizados, a realidade é simples e
talvez doa: vampiros não têm direitos autorais. A história é dela e ela
pode fazer o que quiser com ela, inclusive inventar vampiros que brilhem
no Sol e se alimentem de sangue de animais.
Pessoalmente eu gostei muito das inovações, sobretudo da parte de
não matarem pessoas. Deixou a psicosfera menos pesada, mais suave. Mas,
claro, qualquer um tem o direito de discordar de mim e da Stephanie
Meyer, em particular. Só não vale perder a educação por causa disso,
afinal, é apenas um livro.
E para aqueles que se revoltam imensamente com o fato de Twilight
agora ser febre, vai uma boa notícia: febre vem... E passa.
Garanto que, daqui dez anos, o contingente de fãs será diminuído
drasticamente.